Cotidiano

UFRR cria comissão após denúncia de fraude em cotas

Comissão de Verificação de Registro irá avaliar documentação apresentada pelos alunos que optaram entrada pelo sistema de cotas no momento da matrícula

A Universidade Federal de Roraima (UFRR) tomou algumas medidas após a denúncia de tentativa de fraude no sistema de cotas da instituição divulgada pela Folha na última semana. Entre elas, foi anunciada a criação de uma Comissão de Verificação de Registro designada para avaliar a documentação apresentada no ato da matrícula por todos os candidatos aprovados no Vestibular 2019.

De acordo com a pró-reitora de Ensino e Graduação (Proeg) da UFRR, Lucianne Vilarinho, houve uma reunião na última semana com membros da instituição, do Departamento de Registro Acadêmico (Derca) e com um representante da Advocacia-Geral da União (AGU) para discutir o processo de matrícula, sobretudo referente à questão das cotas.

Na ocasião, foi deliberado pela publicação da Portaria nº 002/2019/PROEG criando a Comissão de Verificação de Registro, que passou a avaliar a documentação apresentada pelos alunos que optaram pela cota, ou seja, aqueles que estudaram em escolas da rede pública, com renda familiar igual ou inferior a um salário mínimo e meio e aos estudantes pretos, pardos e indígenas. Os candidatos que ingressaram por essas categorias também terão que assinar um documento que registra a autodeclaração de etnia/grupo étnico.

A professora também alertou que no próprio edital do vestibular estão previstos a suspensão e o desligamento do aluno em qualquer momento, mesmo que ele já tenha se matriculado ou esteja tendo aulas no curso, independentemente do período.

“Se houver a identificação de algum documento fraudulento e for feita em qualquer processo de sindicância, o aluno vai ser desligado. É muito importante ressaltar isso, a seriedade com que a instituição vem trabalhando. As cotas existem por toda uma história e estrutura que embasa esse mecanismo, e devem ser respeitadas por todos. Devemos coibir ao máximo as pessoas que tentam utilizar esse mecanismo para facilitar a entrada na instituição”, ressaltou.

Lucianne explica ainda que a UFRR está trocando informações com as demais instituições federais que também estão passando pelo período de matrículas.

“As dúvidas estão sendo discutidas nacionalmente com grupo de pró-reitores de graduação. A intenção é que as cotas sejam destinadas ao público que determina a lei”, completou.

Com relação à possibilidade de desligamento de alunos ou encontro de possível irregularidade no processo de matrículas, a UFRR informou que o Derca ainda não tem dados fechados sobre o assunto, mas ressalta que divulgará, caso seja constatada.

CAMED – Ainda sobre a denúncia de fraudes, o Centro Acadêmico de Medicina (Camed) da UFRR se pronunciou por meio de nota a respeito do caso. No texto publicado nas redes sociais, o centro ressaltou a importância da implementação da Lei de Cotas em 2012 e classificou as cotas étnico-raciais e de renda “como um patrimônio a ser defendido por todos os brasileiros que dedicam suas vidas à construção de um cenário de equidade”.

O Camed informou ainda que se reuniu com a Pró-Reitoria de Ensino e Graduação para debater o sistema de cotas, quando recebeu a informação da criação da Comissão de Verificação de Registro, além de orientar os alunos sobre a necessidade de denunciar.

Segundo o Camed, os estudantes podem procurar o serviço da Ouvidoria da UFRR no espaço localizado no Bloco VI, sala 5, do campus Paricarana, ou as urnas colocadas à disposição no Restaurante Universitário ou na Biblioteca Central. A denúncia também pode ser feita pelo sistema e-Ouv, disponível no site da Ouvidoria, no endereço: www.ufrrr.br/ouvidoria.

ENTENDA O CASO – Segundo denúncia recebida pela Folha, ao menos quatro alunas recém-aprovadas no curso de Medicina da UFRR estariam burlando as regras para obter a graduação no ensino superior. A reportagem recebeu imagens divulgadas em redes sociais pelas aprovadas que comprovam uma disparidade entre o estilo de vida de cada uma e as inscrições no sistema de cotas, entre elas, a de viagens para o exterior e outros registros que comprovam estudo em instituições de ensino particulares.