Cotidiano

Violência psicológica lidera atendimentos em Roraima

Em dois anos, 6.641 pessoas do sexo feminino vítimas de violência doméstica foram acolhidas na Casa da Mulher Brasileira

Uma das políticas voltadas para a garantia dos direitos da mulher, a Casa da Mulher Brasileira de Roraima, completa neste mês de fevereiro dois anos de funcionamento. Nesse período, 6.641 pessoas do sexo feminino vítimas de violência doméstica foram acolhidas.

A Casa da Mulher Brasileira é subordinada ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, por meio da Secretaria Nacional de Política para as Mulheres/SPM. Em Roraima é coordenada pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria do Trabalho e Bem-Estar Social, sob a coordenação estadual de Políticas Públicas para as Mulheres/CEPPM.

Instalada na capital Boa Vista, é a primeira da região norte, e representa um importante avanço no enfrentamento a todas as formas de violência contra a mulher, principalmente por concentrar no mesmo local, todos os serviços essenciais visando o atendimento especializado, integral e humanizado às mulheres, o rompimento do ciclo da violência e a transformação de padrões machistas que resultam em violência.

A coordenadora de Políticas Públicas para as Mulheres, Graça Policarpo, detalhou que nestes dois anos foram realizados 6.441 atendimentos, às mulheres que buscaram a Casa por demanda espontânea ou conduzidas pela Polícia Militar somados ao número de retornos.

“Desse total 4.705 mulheres buscaram na casa o primeiro atendimento e 1.706 retornaram para continuidade dos procedimentos, por reincidência da violência”, frisou.

“Em relação ao serviço de acolhimento e proteção, até 31 de dezembro 2020, tivemos 202 pessoas alojadas, dentre elas 96 mulheres, 86 crianças, 9 pessoas LGBTQI+ e 11 adolescentes. Quanto a faixa etária de atendimentos o maior número de mulheres se concentra na idade de 18 a 40 anos com um total de 3.291 atendimentos nestes dois anos, seguido de 41 a 60 anos com 1.018 atendimentos”, detalhou Graça.

Quanto à nacionalidade, o maior percentual se concentra em brasileiras com 3.745 mulheres atendidas e 711 venezuelanas.

O maior índice de violência é a psicológica com 3.379 atendimentos, seguido da física com 1.810, moral com 1.379, sexual com 290 casos e cárcere privado com a contabilização de 115 casos atendidos.

Segundo a secretária da Setrabes, Tânia Soares, a missão principal é promover orientação para o acesso dessas mulheres vítimas de violência em programas de promoção de autonomia, com dignidade, respeito, igualdade e liberdade, acompanhando seu processo de crescimento e libertação por completo desse processo de fragilidade, seja incidindo no âmbito pessoal, familiar, social, até seu fortalecimento como um todo.

“Quando o Governo Federal em parceira com o estado de Roraima, instituiu este mecanismo de proteção à mulher vítima de violência, pensamos em agregar com as parcerias institucionais e com os demais órgãos que integram a Casa da Mulher Brasileira de Roraima, este local de referência para o acolhimento e resolução de todos os conflitos, garantindo às vítimas o apoio necessário. Nestes dois anos já realizamos inúmeras atividades de orientação em ações itinerantes em todo o estado, esclarecendo como buscar ajuda quando necessário”, disse.

AVANÇO

Existe para 2021 a proposta de adequações onde segundo o Governo Federal, o projeto da Casa da Mulher Brasileira passará por mudanças, como a construção de unidades também no interior de todo o país. A proposta inicial previa essas casas de acolhimento apenas em Capitais.