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COMO AJUDAR
Vítimas de tráfico de pessoas são atraídas por promessas
O Poder Legislativo tem um núcleo especializado para ajudar a alertar
Por Folha Web
Em 01/08/2019 às 15:15
Para ajudar a identificar cenários de risco, o coordenador explica que é preciso ficar atento a atitudes suspeitas da possível vítima (Foto: Divulgação)

Na maioria das vezes disfarçado como promessa de uma vida melhor, o tráfico de pessoas é um crime silencioso, que pode passar despercebido. Esta prática é caracterizada pela “comercialização” de seres humanos como mercadorias, seja para: exploração sexual, trabalho escravo, servidão, remoção de órgãos ou adoção ilegal. Estar atento a detalhes pode ajudar na identificação desta conduta.

Nem sempre o tráfico humano ocorre com emprego de violência ou de forma forçada. Na maior parte dos casos, o crime começa com a promessa de realização de um sonho: um pedido de casamento que pode mudar a vida da pessoa, a oferta de um emprego ou a chance de seguir uma carreira de modelo ou de jogador de futebol. Somente quando o sonho vira pesadelo é que as vítimas percebem que foram alvos de aliciadores.

No primeiro semestre de 2019, o Núcleo de Atendimento às Vítimas de Tráfico de Pessoas, da Procuradoria Especial da Mulher da Assembleia Legislativa, registrou nove casos deste tipo de tráfico, seis deles com vítimas transexuais venezuelanas.

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De acordo com Yago Django, coordenador interino do Núcleo de Promoção, Prevenção a Atendimento às Vítimas de Tráfico de Pessoas, da Assembleia Legislativa, prestar atenção nos relacionamentos das pessoas próximas pode ajudar a evitar o crime.

Existe, por exemplo, a situação conhecida como a “Armadilha de Romeu”, na qual o criminoso oferece oportunidades à família, com intuito de conseguir levar a pessoa para ganhar a vida em outra localidade. “É uma relação supostamente amorosa, com um cara aparentemente com uma boa índole, bem vestido. Ele promete uma viagem, mas na verdade é uma enrascada”, alertou Yago.

Atitudes suspeitas

Para ajudar a identificar cenários de risco, o coordenador explica que é preciso ficar atento a atitudes suspeitas da possível vítima, como a pesquisa inesperada por passagens aéreas ou terrestres, a pressa para arrumar malas, pouca informação sobre determinada proposta, seja ela de emprego ou até mesmo de um envolvimento amoroso, ou ainda poucas informações sobre quem a fez. “Isso é possível através de muito diálogo. Questionar quem é a pessoa que está contratando, como a conheceu, em que lugar?”, aconselhou.

Após detectada uma atitude suspeita, o próximo passo é disponibilizar informações para que as pessoas tenham conhecimento do crime e de como denunciá-lo. O Núcleo de Combate ao Tráfico Humano, da Assembleia Legislativa, trabalha de maneira preventiva com ações que levam informação à população sobre o assunto, além de oferecer atendimento jurídico e psicológico, acolhimento da vítima e encaminhamento de denúncias para os órgãos competentes. “Essas políticas públicas são uma arma a mais para que essas pessoas sejam alertadas”, ressaltou Django.

A população pode realizar as denúncias pelo disque 100 ou 180 (Direitos Humanos), ou pode procurar o Núcleo, localizado na sala 208 do prédio da Procuradoria Especial da Mulher, localizado na avenida Ville Roy, nº 5717, no Centro. Mais informações também pelo telefone 3624-8073.

O que fazer para enfrentar o tráfico de pessoas?

A prevenção é sempre a melhor iniciativa. Portanto, ao verificar que existem indícios de tráfico humano, dê as seguintes orientações:

1) Duvide sempre de propostas de emprego fácil e lucrativo.

2) Sugira que a pessoa, antes de aceitar a proposta de emprego, leia atentamente o contrato de trabalho, busque informações sobre a empresa contratante, procure auxílio da área jurídica especializada. A atenção é redobrada em caso de propostas que incluam deslocamentos, viagens nacionais e internacionais.

3) Evite tirar cópias dos documentos pessoais e deixá-las em mãos de parentes ou amigos.

4) Deixe endereço, telefone e/ou localização da cidade para onde está viajando.

5) Informe para a pessoa que está seguindo viagem endereços e contatos de consulados, ONGs e autoridades da região.

6) Oriente para que a pessoa que vai viajar nunca deixe de se comunicar com familiares e amigos.

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