TOC INFANTIL
Como identificar e lidar com o transtorno nas crianças
Por Raisa Carvalho
Em 26/02/2018 às 00:10
Transtorno obsessivo compulsivo é uma doença mental grave (Fotos Divulgação)

Transtorno obsessivo compulsivo é uma doença mental grave, que se caracteriza por comportamento repetitivo e traz limitações, além de prejudicar as relações sociais. O que poucos pais sabem, é que crianças também enfrentam o problema. 

De acordo com a pediatra Ana Carolina Brito, o TOC infantil pode aparecer entre os 3 e 4 anos de idade, mas o diagnóstico ainda não pode ser fechado nessa fase. Caso os sintomas apareçam na criança, o ideal é procurar um psicólogo que ajudará os pais e a criança a lidarem bem com o distúrbio. Também é importante procurar um médico para acompanhar a criança desde cedo.

Segundo ela, o ‘TOC’ infantil é diferente dos rituais e medos que fazem parte do desenvolvimento normal de cada etapa da infância.

“Geralmente, o distúrbio psiquiátrico de ansiedade é diagnosticado em jovens no final da adolescência, mas os primeiros sintomas surgem ainda na infância. A doença possui curso crônico e se não for tratado pode agravar e durar toda a vida”, conta.

Ainda não se sabe exatamente quais são os causadores do Transtorno Obsessivo-Compulsivo, mas existem estudos que sugerem que alterações na comunicação entre determinadas zonas cerebrais que utilizam o neurotransmissor serotonina podem estar relacionadas ao seu desenvolvimento. Além disso, fatores psicológicos e familiares também são possíveis causas.

“Entre os sintomas, existem os pensamentos, impulsos ou imagens mentais recorrentes e persistentes (obsessão) e comportamentos repetitivos por compulsão”, explica.

Entre os sintomas mais comuns, está o medo de contaminação seguido pela compulsão de limpeza. “A criança pode evitar usar o banheiro da escola ou da casa de amigos além de lavar excessivamente as mãos. Ou checar o material da escola várias vezes, verificar se a porta da casa foi trancada várias vezes, organizar os brinquedos várias vezes”, conta.

Segundo ela, a criança pode acumular objetos e brinquedos, de maneira excessiva. “A rotina da criança com TOC pode ser muito alterada pela doença e elas próprias percebem seu comportamento como estranho e diferente dos seus colegas, e muitas vezes acabam se isolando”, diz a médica.

De acordo com a médica, o TOC interfere de maneira importante no rendimento escolar e relações sociais, além de atrapalhar o rendimento escolar e convivência familiar. A doença atinge cerca de 3% da população, cerca de 1 a cada 40 pessoas no mundo.

“Os familiares de primeiro grau de portadores de toc tem quatro vezes mais chance de desenvolver os sintomas, já que é uma doença multifatorial, envolvendo genética e fatores ambientais. Quanto mais cedo é diagnosticado, maiores chances de tratamento com sucesso”, ressalta a pediatra.

Além do pediatra, o neuropediatra e psicoterapeuta devem acompanhar o paciente, o uso de medicação deve ser avaliado em cada paciente, como parte do tratamento.

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