Conflito em vila indígena resulta em uma morte e 15 feridos - Folha de Boa Vista
CRISE NA VENEZUELA
Conflito em vila indígena resulta em uma morte e 15 feridos
Vítima foi identificada como Zoraida Rodriguez, indígena da Comunidade Kumaracapay, da região de Gran Sabana
Por Paola Carvalho
Em 23/02/2019 às 00:40
Alguns feridos durante conflito foram levados pro Hospital Geral de Roraima; alguns deles, de acordo com a Sesau, estão em estado grave (Foto: Nilzete Franco/Folha BV)

O saldo do conflito ontem, 22, na Venezuela foi de uma morte confirmada e cerca de 15 feridos. O relato é que a primeira vítima se chama Zoraida Rodriguez, da Comunidade Kumaracapay, na Comunidade Indígena San Francisco de Yuruani, na Gran Sabana. Ela teria morrido devido a um ataque de arma de fogo da Guarda Nacional Venezuelana durante a madrugada.

Segundo informações, o tumulto começou por volta das 6h quando militares tentaram passar com tanques em direção a Santa Elena de Uairén, na fronteira com Pacaraima, e entraram no perímetro dos indígenas da etnia Pemon.

Os índios tentaram bloquear a passagem, a Guarda Nacional Venezuelana entrou à força e atirou com arma de fogo, balas de borracha e lançou bombas de gás lacrimogêneo. A comunidade é contrária ao governo de Nicolás Maduro e apoia as atividades do presidente da Assembleia Nacional e autodeclarado presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó.

Com os ferimentos graves de muitas das vítimas, sete delas foram conduzidas às pressas para Boa Vista. Outros foram atendidos em Pacaraima e em Santa Elena.

De acordo com Melani Oviedo, mulher de um dos feridos que acompanhou as vítimas até Boa Vista, a Guarda Nacional Venezuelana, a princípio, não quis deixar a ambulância passar.

“Meu marido, cunhado e tio têm feridas no abdômen. Os outros têm feridas no estômago. Fomos cercados. Mais de 14 feridos e uma pessoa morta. Temos outros feridos que não conseguimos trazer para cá”, informou a venezuelana.

Melani lamentou ainda a atitude da Guarda Venezuelana e se disse contra o posicionamento de Maduro, que não autoriza a entrada da ajuda humanitária dos Estados Unidos.

“Maduro não se importa com as pessoas, com as crianças. Isso tudo para não deixar a ajuda humanitária passar”, chorou.

Yelithza Rivero, sobrinha de um dos feridos, disse que os indígenas estavam esperando a chegada dos caminhões venezuelanos, que supostamente vão transportar os itens da ajuda humanitária, em Pacaraima, quando tudo aconteceu.

“Às 2h da manhã, como não chegaram, nós fomos para casa esperar. Amanheceu e às 6h chegou o grupo de militares”, completou.

Durante todo o dia, guardas venezuelanos fizeram um cordão de isolamento para impedir que bloqueio da fronteira fosse furado (Foto: Priscilla Torres/Folha BV)

Durante o dia, houve rumores de que um dos pacientes internado no Hospital Geral de Roraima havia morrido, mas não houve confirmação da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau).

Em nota, a pasta informou que sete pacientes venezuelanos vítimas de conflitos em seu país passam por atendimento no HGR. Eles foram feridos numa região a cerca de 70 quilômetros da fronteira com o Brasil.

Os pacientes foram identificados como Fidel Gabriel Pulido Fernandez, 36 anos; Geber Alfredo Perez Rivero, 21; Kliver Alfredo Perez Rivero, 24; Rolando Garcia Martinez, 52; Alfredo Perez, 48; Evencio Sosa, 44; e Onesimo Rigoberto Fernandez, 48.

“Todos estão com ferimentos provocados por arma de fogo. O estado de saúde desses pacientes é considerado grave, sendo que três deles estão em situação mais crítica”, informou a pasta.

A Sesau disse ainda que cinco pacientes foram encaminhados ao Centro Cirúrgico da Unidade e que outros dois estão em observação no Grande Trauma.

“Além disso, dois venezuelanos foram atendidos no Hospital Délio Tupinambá, em Pacaraima. Eles tinham escoriações e já tiveram alta”, concluiu a nota.

Fechamento da fronteira com Pacaraima
Conforme adiantamos ontem, 21, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, determinou o fechamento da fronteira terrestre do país com o Brasil.
Fechamento da fronteira com Pacaraima
A decisão ocorre diante do envio de donativos da ajuda humanitária.
Fechamento da fronteira com Pacaraima
De acordo com apuração feita pela reportagem do Grupo Folha BV, veículos e pedestres que desejam atravessar para a cidade de Pacaraima estão sendo impedidos pelos guardas do país vizinho.
Fechamento da fronteira com Pacaraima
A situação também é a mesma para brasileiros que querem entrar em Santa Elena de Uairén.
Fechamento da fronteira com Pacaraima
Vale destacar que ambas as cidades são dependentes economicamente uma da outra.
Fechamento da fronteira com Pacaraima
Os venezuelanos costumam atravessar a fronteira para comprar alimentos e medicamentos, que nos últimos anos tem sido mais baratos que em Santa Elena.
Fechamento da fronteira com Pacaraima
Já os brasileiros costumam a ir até a cidade venezuelana para comprar gasolina, já que Pacaraima não dispõe de posto de combustível.
Fechamento da fronteira com Pacaraima
Famílias estão atravessando a fronteira para Pacaraima por meio de rotas alternativas.
Fechamento da fronteira com Pacaraima
Uma parte do grupo, segundo apuração feita pela reportagem, informou que pretende apenas comprar comida para voltar a Santa Elena, enquanto outras pessoas disseram que vão buscar refúgio em países como Argentina e Chile.
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