SETOR ELÉTRICO
Deputado critica dívida de R$ 124 mi com a Venezuela
Mecias de Jesus afirmou que a desunião da bancada compromete a chance do Estado de se interligar com o Sistema Elétrico Nacional
Por Folha Web
Em 06/07/2018 às 01:21
Parlamentar sugeriu que dívida pode ser abatida do débito que a Venezuela tem com o Brasil (Foto: Assessoria Parlamentar/Mecias de Jesus)

Defensor da interligação de Roraima com Tucuruí, o deputado estadual Mecias de Jesus declarou em entrevista à Folha que está preocupado com a situação energética de Roraima tendo em vista, não somente a dívida exorbitante no valor de US$ 33 milhões (R$ 124,27 milhões), mas também pelo fato de a população estar sofrendo com constantes blecautes.

Roraima é o único estado brasileiro que não está ligado ao Sistema Elétrico Nacional. A energia que hoje é utilizada no Estado vem da Estação de Guri, na Venezuela. “É uma situação que se arrasta há mais de 20 anos. Inclusive, já cumpriu todo o objetivo e não tem razão mais de existir. O fornecimento de energia via Guri por meio deste acordo desde 2001 deve vencer em 2021, mas o Brasil tem condições de resolver esta situação com a interligação e buscar meios para sanar esta dívida, um problema causado a meu ver, pela falta de vontade política dos nossos governantes”, afirmou.

Ele questiona o motivo do não pagamento justificado pela Eletrobras, de que seria uma questão operacional por conta do embargo dos Estados Unidos à Venezuela, o que dificultaria as operações bancárias. “Claro que existe risco de desabastecimento. Esta energia importada representa entre 65% e 90% do total, a depender do consumo mensal de Roraima. E se isso acontecer, vamos recorrer às termelétricas, num processo totalmente retrógrado quando o restante do país está interligado à Tucuruí”, disse.

O parlamentar afirmou que a Venezuela deve US$ 324 milhões (R$ 1,2 bilhão) ao governo brasileiro, e uma das sugestões seria o abatimento da dívida. “Pode-se muito bem abater os US$ 33 milhões que a Eletrobras deve de energia e repassar o valor à União. Porém, é necessário que se interligue o Estado de Roraima ao restante do país e nós paremos de depender de Guri”, complementou.

BANCADA DESUNIDA - Para que Roraima seja interligado ao sistema nacional, as torres precisam ser ligadas à Manaus – local mais próximo que conta com a rede nacional. No entanto, as redes precisam passar por dentro da Terra Indígena Waimiri-Atroari, na BR-174. “A legislação até que permite a construção da rede, mas a comunidade indígena vem criando muitas dificuldades e exigindo contrapartidas. Atrelado a isso, o Governo Federal não tem dado a atenção devida ao assunto”, comentou Mecias. Para o deputado, um dos problemas é a falta de consenso na bancada dos senadores do Estado. “O problema é ainda maior porque os atuais senadores não se unem, não têm objetivos comuns. Eu entendo que nos pontos que beneficiam o Estado não têm que existir questões partidárias no meio”, finalizou.


Sudam libera recursos para levar energia a comunidades indígenas 

A Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) liberou ontem, 5, recursos para beneficiar várias comunidades indígenas do Uiramutã com energia elétrica. Foi repassada ao Governo do Estado de Roraima, a primeira parcela dos recursos, da ordem de R$ 666 mil, para a execução das obras. O convênio tem valor total de R$ 2 milhões.

A ação irá beneficiar as comunidades Flexal, Parué, Nova Vida I e II, com 3,16 quilômetros de rede monofásica e 24,85 quilômetros de rede trifásica, da sede do município até o Flexal. A rede trifásica permitirá que redes secundárias sejam estendidas, beneficiando também as comunidades Andorinha, Arapá, Santa Creuza, Santa Luzia, Caracana, Macuquem, Monte Sião, Milho, Monte Muriá I e II, Popó, Prododo e Salvador.

O autor da emenda, deputado federal Edio Lopes (PR), explicou que mais de 300 famílias vão ser beneficiadas “Queríamos levar energia confiável e de qualidade 24 horas interligado ao sistema da sede do Município do Uiramutã, e conseguimos. Agora serão mais de 360 famílias beneficiadas destas comunidades indígenas”, explicou.

O secretário estadual de Infraestrutura, engenheiro civil Carlos Briglia, assegurou que já está tudo pronto para que as obras sejam iniciadas imediatamente.

SANTOS disse: Em 07/07/2018 às 10:19:20

"- A bancada está desunida porque tem parlamentar de Roraima ganhando fortunas com esse imbróglio da energia. Já esqueceram da questão das termelétricas? Então! O outro impedimento é a falta de autoridade do governo brasileiro e a cumplicidade da FUNAI com ONGs internacionais que acolhem as absurdas e descabidas exigências das pseudo lideranças indígenas, pois comprovado está que a linha de transmissão Roraima-Amazonas será instalada na faixa de domínio da BR-174, que não integra a área da mencionada reserva indígena. Governo federal desrespeita notoriamente uma legítima Unidade da Federação a troco de sabe-se lá o que. Quando da construção de importantes rodovias federais, como a Transamazônica, a BR-364, etc, também houve tentativas de extorsão, mas o governo (na época, os militares) entregou a execução das obras ao Exército Brasileiro que, não tendo rabo-preso a ninguém, colocou cada um nos seus devidos lugares e efetivou a execução em tempo recorde e a custos muito inferiores aos orçados. Agora, para isso tem que ter autoridade e não ter telhado de vidro. Pronuncie-se quem apresentar essas credenciais."