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DIA DE SUFOCO
Eletrobras diz que apagão ocorreu por falha e falta de combustível
Em nota enviada à imprensa, empresa não deixa bem claros os motivos das “falhas técnicas” nem assume, de forma direta, a falta de combustível
Por Ribamar Rocha
Em 09/03/2016 às 00:10
Mais uma vez os geradores termelétricos apresentaram problemas para suprir a falta de energia de Guri (Foto: Arquivo/Folha)

A população de Boa Vista e dos municípios de Alto Alegre, Bonfim, Cantá, Caracaraí, Iracema, Mucajaí, Pacaraima, Rorainópolis e São Luiz do Anauá, que são abastecidos pelo Linhão de Guri, voltaram a sofrer com o apagão que iniciou na tarde de segunda-feira, dia 7, e estendeu-se até a madrugada desta terça-feira, dia 8. A Eletrobras Distribuidora Roraima alegou “falha de equipamentos” e “dificuldade para a compra de combustível”, o que significa que faltou óleo diesel para abastecer os geradores.

A Folha tentou agendar entrevista com a direção da Eletrobras Distribuição Roraima para saber os motivos do blecaute e principalmente se as usinas instaladas no ano passado suportariam a carga da demanda no Estado.

A assessoria de imprensa da empresa se limitou a enviar nota informando que "os desligamentos do sistema Roraima, no dia 07/03/2016, às 16h20 e às 19h30, ocorreram devido à falha de equipamentos na subestação de Las Claritas, na Venezuela".

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A nota informa ainda que as termelétricas da Eletrobras foram acionadas e atenderam parte da carga, priorizando as áreas com serviços essenciais, até que a interligação Brasil-Venezuela fosse normalizada. Após o retorno do fornecimento de energia pelo país vizinho, que ocorreu às 18h57, houve “problemas técnicos” na subestação Boa Vista, no Monte Cristo, que dificultaram a imediata recomposição total da carga, que se deu completamente às 4h54 da madrugada desta terça-feira.

A Eletrobras voltou a ressaltar que as termelétricas estariam aptas a atender toda a carga do sistema Roraima, porém, nesta segunda-feira, dia 07, as usinas estavam em processo de “reabastecimento programado durante toda a noite, o que limitou o atendimento pleno da carga no momento do ocorrido”. Em outras palavras, faltou combustível para alimentar os geradores.

A nota tenta justificar que a falta do reajuste da tarifa de energia de 40,3% para residências e de 43,65% para estabelecimentos comerciais, programada para novembro de 2015 e que foi suspensa por liminar da Justiça, acabou implicando problemas financeiros para a empresa.

"Como informado pela empresa em dezembro de 2015, a não aplicação do reajuste tarifário, impedido por liminar, está impondo enormes problemas à capacidade da empresa para honrar com suas obrigações financeiras, inclusive a aquisição de combustível, dificultando gravemente a disponibilidade plena do serviço de distribuição de energia elétrica".

A Eletrobras se referiu às medidas judiciais que foram ajuizadas para suspender o reajuste autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A primeira decisão judicial foi dada pela Justiça Federal de Brasília, na ação popular ajuizada pela bancada parlamentar de Roraima. A segunda determinação judicial foi em resposta a uma ação cautelar do Procon da Assembleia Legislativa de Roraima. (R.R)


Foram mais de 12 horas de muito sufoco e transtornos

O desligamento no Complexo de Guri, na Venezuela, ocorreu por volta das 16h30 de segunda-feira e causou um apagão na Capital e na maioria dos municípios do Estado que são atendidos com a energia transmitida do país vizinho. Depois, no início da noite, a energia foi restabelecida, mas novamente vários bairros da Capital voltaram a ficar às escuras e a energização completa da rede só foi reestabelecida por volta das 5h da manhã de ontem.

Porém, um novo apagão foi registrado no fim da manhã desta terça-feira, por volta das 12h40 até as 13h30, e novamente causou transtornos à população. A assessoria de comunicação da Eletrobras Distribuição Roraima disse, por telefone, que a empresa ainda aguarda informações sobre o desligamento desta terça e reforçou que não se tratava de um cancelamento programado de energia e que não haveria previsão de novas quedas.

TRANSTORNOS - O apagão de mais de 12 horas provocou uma série de transtornos à população roraimense. Além da falta de luz, o serviço de abastecimento de água foi afetado, bem como o serviço de telefonia e internet. Alguns moradores decidiram dormir ao relento, fora de casa, para escapar do forte calor.

Aneel alerta sobre ressarcimento ao consumidor e silencia sobre problema

À Folha, a assessoria de imprensa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) alertou sobre as interrupções de energia sofridas ultimamente pelos consumidores roraimenses e que a distribuidora de Roraima tem que cumprir limites de duração e frequência de interrupções impostos pela Aneel.

"A não a observância a esses limites gera pagamento de compensações aos consumidores em suas faturas. Em 2015, foi apurado, até agora, que a empresa pagou R$ 1,7 milhão aos consumidores por descumprir esses limites", disse.

A assessoria afirmou que a compensação é feita de forma automática na fatura em forma de desconto em até dois meses após a ocorrência da interrupção. "Portanto, não precisa ser solicitada pelo consumidor", frisou.

Quanto às compensações deste ano, a Aneel afirmou que ainda não tinha números de 2016.

Ainda segundo a Aneel, a previsão é que a interligação de Boa Vista ao Sistema Interligado Nacional (SIN), através do Linhão de Tucuruí de Manaus (AM) a Boa Vista, ocorra em maio de 2018. Questionado pela Folha, a agência não informou quanto foi investido nas usinas termelétricas de Roraima nem o que está sendo feito para melhorar o sistema.

ELETRONORTE - A equipe de reportagem manteve contato telefônico e por e-mail com a assessoria de Brasília da Eletronorte para saber quanto foi investido nas usinas termelétricas, por que o sistema não suporta a carga e sobre o que está sendo feito para melhorar o sistema, mas, até as 18h de ontem, não houve retorno. (R.R)

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Léia Cardoso disse: Em 09/03/2016 às 09:28:09

"Isso e um absurdo, pagamos energia mais cara da região norte. a Eletrobras deveria legalizar os moradores das invasões que usam energia a vontade e não pagam, e a população que paga por eles e sofremos a consequência de reajuste e apagões, se os gastos aumentou vocês deveriam verificar os desvios de energia elétrica que não são pouco, em vez de ficar pensando no reajuste, só no cidade satélite tem varias invasões que usam energia a vontade. cade que vocês ver isso."

eliane França de Sousa disse: Em 09/03/2016 às 07:42:54

"Sinceramente a Eletrobrás está precisando e ser denunciada. Se todos nos consumidores entrarmos com uma representação contra ela na justiça por falta de prestação de serviço nunca mais utilizarão de argumentos maldosos. Ate porque todo mês a conta de energia e bem pesada em.minha casa."

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