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FRONTEIRA FECHADA
Estado deixa de exportar R$ 120 milhões
Neste sábado, 16, completa 24 dias que os produtos exportados por Roraima deixaram de cruzar a linha que divide os dois países
Por Ribamar Rocha
Em 16/03/2019 às 00:21
Carretas continuam carregadas no pátio da Receita Federal em Pacaraima (Foto: Divulgação)

O fechamento da fronteira da Venezuela com o Brasil, por decisão unilateral do presidente venezuelano Nicolás Maduro, desde 21 de fevereiro, já deixa um prejuízo de aproximadamente R$ 120 milhões para a exportação do Estado. Neste sábado, 16, completa 24 dias que os produtos exportados por Roraima deixaram de cruzar a linha que divide os dois países.

Segundo dados fornecidos pelo auditor-fiscal da Receita Federal em Pacaraima, Allysson de Oliveira Rocha, o fechamento da fronteira tem trazido um enorme prejuízo para a cadeia produtiva do Estado. São pelo menos 50 carretas que deixam de cruzar a fronteira com produtos de Roraima, em sua maioria com alimentos perecíveis. 

“Antes do fechamento, o fluxo de saídas do Brasil era de aproximadamente 50 carretas carregadas por dia para a Venezuela, com média de 30 toneladas de produtos cada uma, geralmente de alimentos, e a nota fiscal era de aproximadamente R$ 100 mil. Então, são R$ 5 milhões que deixam de ser movimentados por dia”, afirmou.    

O auditor destacou ainda que, além da exportação, há também os prejuízos contabilizados com as importações. 

“Isso tem prejudicado muito a economia do Estado. Tem muita gente que depende do comércio com a Venezuela, é toda uma cadeia que está sendo prejudicada. Os caminhoneiros e transportadoras que dependem do frete, os produtores e agricultores, do carbonato de cálcio e do calcário, e isso tudo causa prejuízo para muita gente que depende da reabertura da fronteira para retomar o comércio”, disse. 

Atualmente, 66 carretas carregadas continuam paradas no pátio da Receita Federal em Pacaraima, aguardando a reabertura da fronteira para serem liberadas.

As cargas, em sua maioria, são de alimentos como farinha de trigo, arroz, açúcar, óleo de soja e macarrão.

“Estes caminhoneiros estão esperando desde o fechamento da fronteira, em 21 de fevereiro, e sempre conversamos com os motoristas. Eles já se mostram impacientes e preocupados”, informou Rocha. “Descreveria como muito difícil a situação deles, pois estão sem poder trabalhar e muitos já falam em retornar com as cargas devido aos prejuízos causados pelo fechamento da fronteira”, destacou.

Em contato com o delegado da Receita Federal em Roraima, Omar Rubim, ele informou que não tem como intervir na situação. 

“Não podemos agir para resolver o problema na fronteira com a Venezuela. Estamos aguardando o desfecho para poder fazer a liberação das cargas que estão no nosso pátio, mas que só será feita a partir do momento em que houver a reabertura da fronteira. Já deixamos nossa equipe de fiscais em Pacaraima de sobreaviso para que tão logo seja reaberta possamos fazer de forma célere o despacho de exportação das carretas”, afirmou. 

O delegado explicou que, como forma de precaução, o despacho de exportação ainda não foi feito devido à incerteza da data da reabertura da fronteira.

“Por precaução, não é recomendável fazer o despacho aduaneiro da mercadoria agora, porque no momento em que se faz isso, se oficializa que o produto está apto a entrar no país vizinho. E se, por acaso, houver mais demora na reabertura da fronteira, os caminhoneiros terão que voltar e haveria todo o trabalho de reexportar a mercadoria que nem chegou a sair”, afirmou. 

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