Guiana destina recurso para início de asfaltamento de estrada até Georgetown - Folha de Boa Vista
LETHEM-LINDEN
Guiana destina recurso para início de asfaltamento de estrada até Georgetown
A pavimentação da estrada vai beneficiar principalmente o setor produtivo de Roraima para futuras exportações
Por Folha Web
Em 10/05/2017 às 01:18
Informação foi dada durante Encontro Empresarial Bilateral Brasil-Guiana, realizada ontem, no auditório da Fier (Foto: Wenderson de Jesus)

Após o estudo feito pela República Cooperativista da Guiana sobre a estrada que vai de Lethem à Georgetown no final de novembro do ano passado, conforme noticiado pela Folha, o país vizinho incluiu no orçamento nacional deste ano recursos para dar início às obras de pavimentação. A notícia foi dada pelo embaixador da Guiana no Brasil, George Talbot, durante o Encontro Empresarial Bilateral Brasil-Guiana, realizado na tarde de ontem, 9, no auditório da Federação das Indústrias do Estado de Roraima (Fier).

Conforme Talbot, a estrada é um processo longo, de qualidade e de suma importância para ambos os países. Contudo, apesar de ter informado que o orçamento nacional da Guiana já tem recursos direcionados às obras, ele não desconsiderou a parceria com o Brasil para o caso. “Também continuamos nas discussões com as autoridades brasileiras para uma parceria neste projeto”, destacou.

Segundo o embaixador do Brasil na Guiana, Lineu de Paula, os cerca de 600 quilômetros que separam Georgetown de Bonfim, em Roraima, vão beneficiar os empresários de todo o Brasil, não só os de Roraima. Para o embaixador brasileiro, a utilização da estrada para entrega de produtos do Rio Grande do Sul, a exemplo, vai possibilitar custos de transporte mais baratos, em comparação com os produtos transportados pelo Brasil.

Ainda que não haja um documento físico com o estudo da estrada, Lineu de Paula ressaltou que outra novidade sobre o caso vai depender da visita do Ministro da Infraestrutura da Guiana à Brasília, nos dias 25 e 26 deste mês. O ministro vai buscar meios de financiamento a partir de reuniões no Ministério dos Transportes e no Ministério das Relações Exteriores.

ESTUDO - Em novembro do ano passado, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), contratado pela República Cooperativista da Guiana, apresentou um estudo sobre a possibilidade de pavimentação da estrada Linden-Lethem, que depois se conectaria a Boa Vista. Segundo o embaixador do Brasil na Guiana, Lineu de Paula, houve interesse por parte dos empresários brasileiros em razão do potencial de exportação dos produtos da Guiana via Georgetown. “De Boa Vista a Manaus, e de lá por todo o rio Amazonas para o Oceano Atlântico é uma loucura”, relatou. A partir do estudo e do interesse demonstrado pelos empresários, o embaixador explicou que era necessário agir.

Neste contexto, o Encontro Empresarial Bilateral veio para permitir que as autoridades dos dois países, bem como empresários e produtores, possam dialogar, tirar dúvidas e saber em que pontos um país pode ajudar o outro. “O encontro faz parte de um processo de intercâmbio entre os dois países, um passo importante que vai oferecer possibilidade de investimentos aos empresários do Brasil e de Roraima para investir na Guiana, ou ampliar as operações”, comentou o embaixador da Guiana, George Talbot. (A.G.G)

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SANTOS disse: Em 10/05/2017 às 11:19:00

"- Não restam dúvidas que a pavimentação da estrada Lethem/Georgetown é importante para os exportadores da Região Norte Brasileira. Contudo, não devem ser esquecidos alguns detalhes como quanto custará essa obra e quem arcará com os pagamentos. Há mais de década que o assunto é pauta de diversas reuniões. Recordo-me que lá pelos idos de 2005/2007, foi uma luta insana para conclusão da ponte sobre o Rio Tacutu, fronteira Bonfim/Lethem, que acabou sendo custeada pelo Brasil, incluindo-se as obras do lado Guianense referente à área alfandegária e adaptação da ?mão de tráfego?. Essa história de concluir os estudos após a vinda de autoridades da Guiana a Brasília, certamente desaguará na concretização de conjectura anteriormente feita, qual seja, de que o Brasil arque com os custos não só da rodovia, mas também da reforma do Porto de Lindem. E como é obra no exterior, em jurisdição fora da alçada de autoridades brasileiras para fiscalizar, vejamos em quanto ficará, a exemplo da refinaria de Abreu e Lima, no Nordeste Brasileiro, onde a Venezuela teve perdoado, pelo então presidente lula, o calote que nos deu de alguns bilhões de dólares. É esperar para ver e quem viver, verá!!!"

Rodrigo Colares da Costa disse: Em 10/05/2017 às 09:24:59

"Boa iniciativa, principalmente porque o governo guianês, a princípio, vai bancar o empreendimento sozinho. Há estradas que o governo brasileiro investiu como a ´carretera interoceânica´, que sai do Acre, cruza o território peruano de oeste a leste, passando pela Cordilheira dos Antes, até o oceano pacífico. O objetivo seria para o escoamento de soja, e conforme bem noticiou a imprensa televisiva nacional, a estrada que já está pronta, não transita um caminhão de soja de nosso país, um absurdo. A falta de planejamento foi absurda, como imaginar que um caminhão de soja poderia transitar facilmente por estradas que chegam a mais de 4.400km de altitude, o perigo é imenso. Como se tratava de obra da gestão lulista, está relacionada aos escândalos da Lava Jato. No caso da estrada até Georgetown, é fato que ajudaria muito o polo industrial de Manaus, o que falta e espero que seja construído também, consiste num porto de águas profundas. Como a Guiana vai se beneficiar com os impostos para a logística dos produtos brasileiros, então que banque o investimento as suas expensas. "