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Maternidade registra cinco nascimentos de bebês filhos de venezuelanos
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), o crescimento vem se tornando gradativo desde 2015
Por Minervaldo Lopes
Em 13/02/2018 às 16:02
Número de nascimento de bebês filhos de venezuelanos vem crescendo (Foto: Nilzete Franco)

O aumenta na demanda nos serviços de saúde por venezuelanos no Hospital Materno Infantil Nossa Senhora de Nazareth (HMINSN) tem preocupado cada vez mais as autoridades locais. Somente em janeiro, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), foram registrados 150 partos de mulheres venezuelanas, o que representa uma média de 05 nascimentos de bebês filhos de venezuelanos por dia.

“Até 2014, a Venezuela realizava somente o encaminhamento de pacientes cujo estado de saúde inspirava grau de risco elevado. De 2015 para cá foi que começamos a receber demanda espontânea de venezuelanas para ganhar os seus bebês aqui em Roraima e isso acabou gerando um aumento gradativo nas demandas na maternidade”, afirmou a diretora de apoio técnico do HMINSN, Márcia Monteiro.

Conforme a diretora, o número de atendimentos as imigrantes vem dobrando a cada ano, o que acabou forçando a unidade adotar uma série de medidas para suprir tanto a demandas locais quanto aquelas vindas do país vizinho.

Em 2015, por exemplo, foram 452 atendimentos realizados pela unidade, número que saltou para 810 em 2016 e assustadores 1.681 no ano passado.

"Atualmente, o HMINSN opera na sua capacidade máxima, no entanto, o Estado vem acompanhando esse aumento de demanda e realizando algumas adequações. Temos 36 leitos autorizados pelo Ministério da Saúde na UTI Neo-Natal e 20 leitos de internação. Com a destinação de emendas federais, a previsão é que mais 60 venham a ser criados nos próximos meses”, destacou.

Além da destinação de recursos, o HMINSN conta também com o apoio do Hospital Geral de Roraima (HGR), unidade para onde são encaminhadas as pacientes mais graves. Outra medida adotada pela Sesau foi o reforço de profissionais nos três turnos de atendimento.

“Temos uma escala de três horários para médicos, enfermeiros e técnicos, o que ajuda na rotatividade dos leitos, pois assim que é verificado que a paciente e o bebê estão em condições de ir para a casa, esse leito acaba ficando disponível para outra pessoa", destacou.

Questionada sobre o acompanhamento a paciente venezuelana, Márcia Monteiro explicou que a atuação dos profissionais da maternidade se dá apenas na assistência de saúde. Um dos desafios nesse sentido é que muitas dessas mulheres dão entrada na unidade sem pré-natal completo.

“Dentro da unidade, essa paciente passa a receber a assistência a saúde, o que é um desafio para nós de alguma forma, por que muitas delas não vêm com o pré-natal feito, o que acaba dificultado saber se essa criança pode vir ou não a ter algum tipo de problema ou má formação. Agora, quando há a necessidade de um paciente que não tem para onde ir, por exemplo, a assistente social entra em contato com a Defesa Civil ou com a Casa Civil, que são as duas instituições responsáveis pela questão de abrigamento, para que façam os tramites para garantir essa lotação”, pontuou.

INVESTIMENTOS – De acordo com o Governo de Roraima, o Ministério da Saúde (MS) já liberou pouco mais de R$ 3 milhões extras para equipar o Hospital Materno-Infantil Nossa Senhora de Nazareth (HMINS), considerada a maior e mais importante unidade materna do Estado.  

Ontem, 12, durante reunião com a governadora Suely Campos (PP) no Palácio Senador Hélio Campos, o presidente da República Michel Temer (MDB) anunciou o aumento dos repasses do Limite Financeiro de Média e Alta Complexidade (Teto Mac), para cobrir, pelo menos, o déficit de 37% no financiamento da saúde, equivalente a R$ 2,4 milhões, posto que a disparidade entre o valor recebido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e o total gasto pelo Estado foi agravada pela crise migratória.

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