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APÓS ENCONTRO COM SENADOR 
Nicolás Maduro anuncia possibilidade de reabrir fronteira
Presidente da Venezuela se encontrou com o senador Telmário Mota, do Pros de Roraima, nessa segunda-feira, 15
Por Folha Web
Em 16/04/2019 às 07:39
No encontro com Maduro, senador disse que fechamento da fronteira com Venezuela prejudica principalmente população do Norte do País (Foto: Divulgação/Imprensa Presidencial Venezuela)

O senador Telmário Mota (Pros/RR) se encontrou ontem, 15, com o presidente da Venezuela e anunciou que Nicolás Maduro “vê com bons olhos” a possibilidade de reabrir a fronteira entre os dois países que está fechada há quase dois meses. De acordo com interlocutores, o chavista anunciou, por meio de seu ministro das Relações Exteriores, Jorge Arreaza, a reabertura.

Uma das intenções do parlamentar com a visita era tentar “estabelecer paz e harmonia entre os dois países”. 

No encontro com Maduro, o senador disse que o fechamento da fronteira com a Venezuela prejudica principalmente a população do Norte do País. 

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“Talvez, poucos saibam o quão profundas eram as relações comerciais, energéticas e culturais de Roraima com a Venezuela. Nossos agricultores usam calcário e adubos da Venezuela. A safra está para começar e eles não têm como trazer isso do Centro-Oeste sem ter um grande prejuízo.

E para cá vendíamos boa parte da produção. Cada dia, 50 caminhões de produtos brasileiros chegavam aqui”, ressaltou.

E acrescentou ainda que “o comércio de Pacaraima está às moscas”. “Os venezuelanos enchiam nossos supermercados. O Norte de Roraima está sem gasolina, porque da Venezuela vinham os combustíveis”, disse Telmário.

O senador também destacou a situação da Venezuela que está “sofrendo ataques” em seu sistema elétrico fazendo com que Roraima não tenha mais acesso à energia de Guri. 

“Tenho certeza que a interrupção de energia dentro da Venezuela e para Roraima não foi obra do próprio governo. Não faria sentido. Mas, infelizmente, sofremos com isso. Os gastos de óleo diesel para suprir as termelétricas de Roraima já atingiram 400 milhões de reais”, afirmou.

O senador acredita que quando tudo se normalizar, a Venezuela pode voltar a ser um grande comprador do Brasil e vice-versa.

“Eu peço, humildemente, ajuda para tentarmos reabrir a fronteira e normalizarmos as relações diplomáticas. Temos que pensar em todas essas pessoas, cujas empresas, negócios, educação e saúde dependem da fronteira aberta. Como senador, tenho a obrigação de obedecer fielmente aos interesses dos meus eleitores e os princípios de nossa Constituição, que nos obriga a buscar o diálogo, a cooperação e a paz. É isso que venho fazer aqui. Acredito que o primeiro passo para isso é a reabertura da fronteira. Estou aqui para pedir em nome do ‘povo do Brasil e de Roraima’ a reabertura da fronteira”, concluiu.


Visita conturbada

A ida do senador à Venezuela foi permitida pelas fronteiras com o Brasil após petição do parlamentar. Ele não conseguiu autorização do governo de Jair Bolsonaro (PSL) para ser levado em uma aeronave da Força Área Brasileira até a fronteira e teve que viajar em um avião comercial, tendo ficado em Manaus por questões burocráticas.

Ao saberem da situação, as autoridades venezuelanas viabilizaram a ida do senador até a Venezuela em um jato enviado pelo presidente Nicolás Maduro.

Durante a manhã, Telmário Mota havia se encontrado com o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza. Também nas redes sociais, o Ministério das Relações Exteriores do país vizinho afirmou que se trata de “um encontro carinhoso com o senador brasileiro, que visita a

Venezuela como um gesto de fraternidade e boa convivência entre as duas nações”.

“No marco da diplomacia bolivariana da paz, recebemos a visita do senador brasileiro. Avaliamos a relação bilateral e a necessidade de aprofundar nossa cooperação com respeito mútuo, em paz e buscando benefícios compartilhados para ambos os povos fraternos”, escreveu o chanceler.

Além do encontro com Maduro e o chanceler, o senador também se encontrou com o vice-ministro da América Latina, Alexander Yanez, o vice-ministro da América do Norte, Carlos Ron, e com o embaixador da Venezuela no Brasil, Alberto Castelar.

A reunião ocorreu horas após o governo venezuelano acusar os Estados Unidos, Colômbia e Brasil de prepararem um plano de intervenção militar na Venezuela.


Avaliação é positiva, segundo senador

Na avaliação feita em conversa com a Folha, Telmário disse acreditar que sua visita teve um saldo positivo.

“Eu entendo que a minha vinda até a Venezuela foi muito positiva, pois acho que as autoridades venezuelanas estão realmente querendo restabelecer a paz a harmonia entre os países”, considerou.

Mota criticou ainda a diplomacia brasileira, afirmando que o País errou três vezes em relação à Venezuela.

“Eu falei para o presidente [Jair Bolsonaro] não fazer essa acolhida em Roraima, pois não temos estrutura e está custando uma fortuna essa ajuda humanitária que tem que ser feita dentro do próprio País. Em segundo lugar, é ruim reconhecer um presidente que não foi eleito pelo povo como

o Brasil reconheceu [Juan] Guaidó. É uma interferência brutal na relação exterior com o país vizinho. A terceira foi aquela tentativa de ajuda humanitária que foi ridícula, pois eram apenas os Estados Unidos colocando as nações em atrito. Mas a visita foi positiva, pois quebrou esse gelo”, assegurou.

Sobre a reabertura da fronteira, o senador afirmou que Maduro disse que vai montar um grupo de trabalho para firmar acordos que sejam comerciais e alfandegários e possam restabelecer as relações.

“Esse acordo pode ser feito até com o governo do Estado, não precisa ser com o governo federal. Maduro contou que sofreu três atentados no sistema elétrico venezuelano e assim que se recuperar vai restabelecer imediatamente a energia que foi suspensa. Eu estou muito esperançoso e só depende agora da vontade das autoridades brasileiras”, concluiu.

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Manuel disse: Em 16/04/2019 às 11:31:50

"Melhor produzia se ficasse quieto em casa... Menos prejuízo para a nação."

Freitas disse: Em 16/04/2019 às 11:29:26

"Parabéns senador, aí a massa de venezuelanos vai voltar a entrar em Roraima diariamente, tudo para que meia dúzia de empresários amigos do governador, que empregam em sua maioria absoluta mão de obra venezuelana, possam vender seus produtos. "

Castro disse: Em 16/04/2019 às 10:49:19

"É melhor ficar fechada mesmo, já temos problemas de mais em Roraima."

Josy disse: Em 16/04/2019 às 07:18:42

"Esperançoso, acreditando nas palavras de um homem que tem sido o algoz da nação que ele deveria proteger? Só sendo muito ingênuo mesmo! Mas, como na política não há homens com esse adjetivo ... "