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OPERAÇÃO AZAZEL
Cinco são presos suspeitos de comandarem "Tribunal do Crime" de facção
Por João Barros
Em 15/06/2019 às 00:20
A Polícia detalhou a operação em coletiva realizada nessa sexta-feira, 14 e explicou como funcionavam as investigações (Foto: Diane Sampaio/FolhaBV)

Depois de seis meses de investigação, a Polícia Civil de Roraima conseguiu elucidar a execução de um jovem de 18 anos e chegou aos autores do homicídio, prendendo cinco pessoas durante uma operação intitulada Azazel. A morte, dentre tantas outras, foi decretada pelo líder do bando, integrante de uma facção criminosa, após julgamento no “Tribunal do Crime”. Além desse crime, a polícia também investigou homicídios cometidos nos anos de 2017, 2018 e 2019. Durante todo o dia e noite de quarta, dia 12, e quinta-feira, dia 13, a primeira fase da operação Azazel foi executada e percorreu cinco bairros de Boa Vista.

Foram cumpridos mandados de prisão dentro e fora do Sistema Prisional de Roraima. Também foram realizados mandados de busca e apreensão em imóveis no Bairro Santa Tereza.

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Segundo os delegados, a operação policial procura dar um fim aos repulsivos e escabrosos tribunais do crime, que insistem em atuar em Boa Vista, com o objetivo de julgar e eliminar desafetos de facções criminosas.

Foram presos preventivamente: M.D.S.B, de 19 anos (sem camisa); E.S.O, apelidado de “Baby” ou “Cupu”, de 21 anos, irmão de M.D.S.B, (Camisa vermelha); A.F. de O. L., de 24 anos, apelidado de “Psicopata ou F2”, apontado como autor dos disparos (Camisa cinza); I.C.B. de S., de 20 anos (Camisa vermelha e com tatuagens no braço).

Há uma quinta pessoa presa que, segundo a Polícia, está sendo analisado o grau de envolvimento no crime investigado. Uma sexta pessoa, apontada como líder da facção criminosa do bairro Santa Teresa, está sendo procurada pelos policiais. Ele foi identificado como H.O. (camisa preta).

Numa coletiva de imprensa, realizada na manhã de ontem, dia 14, o delegado geral da Polícia Civil, Herbert de Amorim Cardoso deu detalhes das investigações feitas pela Delegacia Geral de Homicídios (DGH), coordenadas pelos delegados Cristiano Camapum e o adjunto, Jorge Wilton Nepomuceno. Além deles, a delegada geral adjunta, Elisa Reis, a diretora do DHPP (Departamento de Homicídio e Proteção a Pessoa), Elivânia Aguiar, também participaram da coletiva.

“Esse é o resultado de um trabalho de seis meses. Representamos por aproximadamente 40 pedidos de prisão que estão sendo concedidos pela justiça e estamos cumprindo esses mandados. Neste caso, uma célula do crime decretou a execução dessa pessoa e assim o fizeram. Os delegados estão trabalhando dia e noite e as investigações não param. Os crimes que não têm autoria definida estão sendo apurados”, explicou Herbert Amorim.

A Polícia não quis detalhar o crime pelo qual os indivíduos foram presos porque é preciso resguardar a família da vítima. Mas, segundo os Delegados da DHG, os criminosos sequestraram, torturaram e mataram uma vítima do caso que ainda está em apuração, cujo nome não foi divulgado, tido como desafeto da facção. A vítima foi conduzida à casa de um dos presos, julgado e morto nas proximidades.

AZAZEL – Azazel é citado na Bíblia, no Livro de Levítico, capítulo 16, e faz menção a um bode que era entregue para morrer com culpa, simbolizando os que se perdem para as forças do mal. (J.B)

INTERVENÇÃO – A Polícia Civil declarou que, desde a intervenção do Sistema Prisional do Estado, houve uma redução drástica na atuação das organizações criminosas. O delegado Cristiano Camapum ressaltou que os casos envolvendo a participação de organizações criminosas requerem mais tempo, tendo em vista a quantidade de pessoas envolvidas na prática dos crimes. (J.B)

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