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MORTE DA MENOR
Dois envolvidos em assassinato morrem após confronto com a PM
No total, mais de oito pessoas teriam envolvimento com a morte da menor cujo corpo ainda não foi encontrado
Por João Barros
Em 21/08/2019 às 00:10
Os suspeitos foram mortos após atirarem contra os policiais. Eles teriam participado do tribunal do crime (Foto: Aldenio Soares)

O Departamento de Informação e Inteligência (DII) da Polícia Militar, quando tomou conhecimento do caso, descobriu que as jovens sequestradas teriam sido deixadas em uma residência no bairro Caranã. No local confirmaram que dois jovens, vulgo “Gaiato”, 23 anos, e “Netinho”, 18 anos, tinham recebido a missão de sequestrar a adolescente para ser julgada no “Tribunal do Crime”. Na ocasião, a irmã da jovem acabou sendo levada junto para o cárcere privado.

Além deles, também tiveram envolvimento no crime os elementos conhecidos como “Paulo banguela” “Negão do Corolla”, “Cinderela”, “Periculosa” e “Duquesa”, que levaram a adolescente para o loteamento João de Barro, onde teria sido executada e desovada na área de lavrado. Segundo os autores do crime, a regra da facção é de que mulheres matam mulheres e homens apenas auxiliam. Os envolvidos que realizaram o sequestro, assim que foram detidos pela PM, confirmaram que levaram as duas vítimas para o cativeiro e após entregá-las foram expulsos do imóvel, juntamente com a irmã da adolescente, para que não presenciassem o julgamento. Uma das criminosas que participou da execução da menor também é moradora do Vila Jardim.

Após descobrir que o proprietário do carro usado no crime morava também no Vila Jardim, a polícia Militar foi até o local e, ao bater na porta, foi recebida a tiros pelos faccionados, que no confronto foram alvejados. Apesar de terem sido levados ao Pronto Socorro do Hospital Geral de Roraima (HGR), eles não resistiram aos ferimentos e morreram antes de serem submetidos a procedimento cirúrgico. Os corpos foram levados ao Instituto de Medicina Legal (IML) e liberados pelos familiares na manhã de ontem, 20, para realização de funeral e sepultamento.

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APREENSÕES – Na ação, os policiais apreenderam: nove celulares; uma balança de precisão; R$ 174 em espécie; um invólucro grande, contendo possivelmente cocaína; um invólucro pequeno, aparentando ser maconha; um revólver calibre 38, com quatro munições deflagradas e uma intacta, que estava em posse de um dos envolvidos que foi morto pela polícia; uma pistola calibre 765 com carregador vazio, que estava com Davi, e um veículo Toyota/Corolla, cor bege, usado para transportar as vítimas. (J.B)

Presos confessam homicídio e são flagranteados


Os seis envolvidos foram levados para a Central de Flagrantes de 5º DP (Foto: Aldenio Soares)

Quando os militares concluíram as prisões de todos os envolvidos na morte de Laura Rosa, de 17 anos, já passava das 3h da manhã desta terça-feira, 20. O bando foi conduzido para a Central de Flagrantes do 5º DP para que a autoridade policial tomasse conhecimento do caso e procedesse de acordo com a lei.

A delegada Eliane Gonçalves, que estava de plantão na Unidade Policial, ficou responsável pelas oitivas e pelos procedimentos de Polícia Judiciária. Ela deu detalhes sobre o trabalho realizado na Delegacia. 

“Dos indivíduos conduzidos, seis foram flagranteados pela participação, cada um com seu grau de culpabilidade pela execução da vítima. O que temos de provas é que realmente ela foi morta, o corpo abandonado numa região de lavrado. As buscas, nós da Polícia, iniciamos desde a noite do crime. Os seis envolvidos, levados para a CF [Central de Flagrantes], mais os dois que estão mortos, têm envolvimento na morte da adolescente Laura Rosa”, destacou a autoridade policial.

A delegada investigou e concluiu que os alvejados no Vila Jardim eram os cabeças do plano de matar a vítima. “Cada um na organização criminosa tem sua função. Ambos participaram, inclusive, o Joel, vulgo “Negão”, participou da reunião que chamam de “tribunal do crime” e carregou a vítima no veículo dele até o local onde foi morta, enquanto Davi, vulgo “Davizinho”, também participou no momento da morte da jovem”, esclareceu.

Para a autoridade policial, os dois foram mortos porque, quando a Polícia chegou ao prédio, no Vila Jardim, a namorada de um deles mentiu afirmando que não estavam no local, mas depois que os policiais entraram, os indivíduos estavam armados e atiraram. “Não temos policial ferido, mas há duas ‘baixas’ de criminosos e é de se esperar que essas coisas aconteçam com indivíduos envolvidos com o crime, então, hoje foram retirados do meio social muitos criminosos e vamos aguardar a manifestação do juiz da audiência de custódia”, acrescentou.

Os conduzidos foram flagranteados por: homicídio qualificado; organização criminosa; resistência; e lesão corporal – por conta do sequestro e cárcere privado da irmã da vítima, mesmo que tenha sido liberada. “Quando terminamos os procedimentos, já era madrugada, porque foram bem complicados. Tinha muita gente conduzida”, concluiu a delegada. 

A ocorrência foi realizada pela Polícia Militar com guarnições do Bope (Batalhão de Operações Especiais), Canil, Força Tática, Giro (Grupamento de Intervenção Rápida Ostensiva), Choque e Departamento de Informação e Inteligência (DII), além de contar com apoio da equipe da Dicap (Divisão de Inteligência e Captura) da Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania (Sejuc). No trabalho conjunto efetuaram as investigações, buscas e prisões.

A Justiça decidiu, em audiência de custódia, manter todos os seis indivíduos presos, convertendo a Prisão em Flagrante em Prisão Preventiva, e encaminhou o bando ao sistema prisional. Os homens foram levados para a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc) enquanto as mulheres foram recolhidas às dependências da Cadeia Pública Feminina de Boa Vista (CPFBV). (J.B)

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