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PAMC
Família contesta laudo e diz que preso foi assassinado
Por João Barros
Em 18/07/2019 às 00:15
No IML, a família disse que Nilton César Alves da Costa foi assassinado (Foto: Diane Sampaio/FolhaBV)

Na manhã dessa quarta-feira, 17, a causa da morte do detento Nilton Cesar Alves da Costa, o “Cezinha”, de 42 anos, foi revelada à família. Conforme a cópia do laudo, a morte foi causada por um Acidente Vascular Cerebral (AVC). No entanto, os parentes demonstraram insatisfação diante do resultado da necropsia, por acreditarem que o preso foi morto por outros homens com quem dividia cela na Penitenciária Agrícola de Monte Cristo (Pamc).

“Tudo começou errado porque só entregaram o corpo depois de 24h que ele tinha morrido. A morte dele foi por AVC, mas não tem nada a ver. Não é verdade. Não foi morte natural. Eles seguraram o corpo, enrolando para entregar para a família. Se é morte natural porque essa demora? Quando o corpo chegou, o médico disse que não iria liberar porque tinha que falar com o médico que atendeu meu pai no HGR [Hospital Geral de Roraima] e que ainda não sabia o motivo da morte”, reclamou a filha do preso.

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A jovem também contou que o médico chamou a família para conversar e perguntou quais os problemas de saúde do meu pai. “Isso não existe. Se ele é o legista, então tem que fazer o exame e pronto. Só liberaram o corpo quando ameaçamos de chamar a imprensa”, declarou.

Em relação à morte, a filha reforçou que a versão dos agentes penitenciários é a mais convincente. “Por que o governo quer abafar o caso? Qual o motivo de tudo isso? Nós vamos descobrir. Já temos um advogado. No HGR não deixaram a gente ver o corpo. No IML [Instituto de Medicina Legal] não deixaram a gente ver o corpo. Só na funerária nós conseguimos ver. Tem marcas e o corpo está todo roxo. Isso não é normal. Temos fotos e o advogado vai trabalhar com elas”, declarou a filha.

O OUTRO LADO – A reportagem da Folha conversou com médico-legista que realizou o exame de necropsia. Segundo ele, o corpo deu entrada no IML após as 18h, ele conversou com a família para levantar inúmeras informações sobre a possível causa da morte. “Havia necessidade de fazer investigação. A gente tem que aguardar pelo menos seis horas, conforme a legislação brasileira, para iniciar o exame cadavérico e não tem data para concluir. Usamos o tempo que foi necessário. Os inúmeros questionamentos, inclusive de que tinha sido vítima de um assassinato, contribuíram para demorar mais do que a gente desejava. O trabalho do perito é investigar todas as informações. Não usamos nem um minuto a mais e nem um minuto a menos, usamos o tempo que foi necessário”, afirmou o perito legista.

Por fim, o médico informou que não tem dúvidas do resultado da necropsia. O corpo foi liberado para a família realizar o funeral e o sepultamento por volta das 13h de ontem, quando foi levado para a funerária. A filha disse que o sepultamento vai ocorrer nesta quinta-feira, 18, no cemitério Campo da Saudade.

O CASO – Por volta das 12h30 da terça-feira, 16, agentes penitenciários que atuam na Pamc ouviram gritos e correram para a cela, ocasião em que encontraram a vítima inconsciente. Mesmo assim uma equipe fez a remoção até o Pronto Socorro do HGR, onde Nilton Cesar morreu. A administração estadual apresentou o laudo para a reportagem, que afirma que a causa da morte foi natural. O caso está sob investigação da Polícia Civil. (J.B)

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