Política

Adolescentes desistem de votar nas eleições em Roraima

Dados do eleitorado apontam uma queda de 65% na presença de jovens entre 16 e 17 anos aptos a votar

A análise do eleitorado em Roraima aponta uma desistência da participação de jovens no processo eleitoral. Em comparação com o pleito anterior houve uma queda de mais de 65% no número de jovens com voto facultativo, ou seja, aqueles que têm 16 e 17 anos e não são obrigados a votar.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em 2020 são 4.378 eleitores adolescentes aptos à votar. Entre eles são 600 mulheres de 16 anos; 580 homens de 16 anos; 1.628 mulheres de 17 anos e 1.570 homens de 17 anos.

Em 2016, nas últimas eleições municipais, eram 12.549 eleitores adolescentes aptos a participar da votação. Eram 2.283 mulheres com 16 anos; 2.145 homens de 16 anos; 3.378 mulheres de 17 anos e 3.394 homens de 17 anos.

Participação de jovens nas eleições de 2016 e 2020 (Gráfico: FolhaBV)

AVALIAÇÃO – Para o cientista político e professor universitário Roberto Ramos, é difícil precisar ao certo o motivo da queda sendo necessário analisar a taxa populacional de adolescentes do Estado para identificar se há uma proporção com relação ao número de eleitores. Porém, a avaliação inicial é que há um desânimo com as questões políticas. 

“Vivemos um momento de apatia, de descrédito do sistema político representativo. Um descrédito das instituições políticas. A população tem avaliado de forma muito negativa todos os aspectos da política. Das instituições organizadoras do processo, dos partidos, dos candidatos e quando isso acontece há um desejo de afastamento do jogo político, de ter uma aversão à participação e retardar isso. Acredito que os jovens de alguma forma estejam inseridos nesta apatia”, afirma Ramos.

O especialista aponta ainda que outros fatores também podem influenciar essa queda na participação, como as dificuldades de oferta de emprego e perspectiva, além de impactar outros setores, como a alta taxa de evasão escolar das instituições de ensino superior. 

“Os jovens questionam até onde essa formação pode gerar um emprego de mais qualidade. É como se fosse estar em um cenário de mesmice. Acredito que esses elementos contribuam para o não interesse quanto ao voto facultativo”, frisou o professor.