Política

Justiça mantém presos supostos autores do homicídio de empresário 

No domingo, o empresário foi brutalmente assassinado no bairro Pricumã

No fim da tarde do domingo, dia 16, policiais militares prenderam uma dupla suspeita de ter cometido o crime contra o empresário Antônio Coelho de Brito, de 69 anos, que foi brutalmente assassinado no bairro Pricumã, nas primeiras horas da manhã de domingo. Para chegar até os dois, os policiais analisaram imagens de câmeras de segurança de residências.

Nas imagens, a vítima aparece conversando com alguns venezuelanos e os dois rapazes o acompanham no exato momento em que o empresário entra no terreno onde está sua oficina. Os suspeitos seguem adiante e num primeiro momento não aparecem entrando no local onde ocorreu o crime. Num outro vídeo, gravado em frente à Central de Flagrantes do 5° DP, após a prisão, a dupla nega que tenha praticado o homicídio e diz que não sabia o que estava fazendo na Delegacia. Também disseram que não conheciam o empresário. Eles chegaram a dizer que estavam com as mesmas roupas que apareciam nas imagens, bem cedo, e que as roupas deveriam estar manchadas de sangue, caso tivessem cometido o crime.

Diante dos fatos, foram ouvidos pela autoridade policial que lavrou o Auto de Prisão em Flagrante (APF), por latrocínio, contra o maior e o Auto de Apreensão em Flagrante por Ato Infracional (AAFAI) contra o menor. A dupla permaneceu detida numa das celas da Unidade Policial até a manhã de ontem, dia 17, quando foram encaminhados para audiência de custódia no Poder Judiciário, que decidiu pela manutenção da prisão do maior e encaminhou o menor para o Centro Socioeducativo (CSE).

O CASO – A vítima foi morta na oficina mecânica de sua propriedade e o corpo foi encontrado pelos familiares, após as 8h da manhã do domingo, 16, embaixo de uma lona. Uma pá foi usada para matar a vítima que chegou a lutar contra o criminoso, mas morreu no local (J.B) 

Irmão de empresário lamenta homicídio e critica imigração desordenada


O crime ocorreu na oficina de Antônio Coelho de Brito, de 69 anos (Foto: Aldenio Soares)

Um dia após a morte do empresário Antônio Coelho de Brito, o Simbaíba, de 69 anos, assassinado a golpes de pá, possivelmente por venezuelanos, a reportagem da Folha conversou com irmão da vítima, o empresário Luiz Brito, que fez críticas severas ao processo desordenado de imigração e aos crimes praticados por venezuelanos.

“Nosso estado já não estava bem pelas péssimas administrações públicas que tivemos nos últimos tempos e tem uma imigração dessa que publica oficialmente para a sociedade dados que não são verdadeiros”, destacou.

Conforme Brito, no período em que a fronteira com a Venezuela esteve fechada, no mínimo 300 pessoas entravam no Brasil, e alertou sobre o número que entra com ela aberta. “A própria Folha noticiou que entravam cerca de 800 pessoas por dia. A Operação Acolhida, do Exército, consegue acolher, talvez, nem 10% do que entra. É divulgado que nós temos 75 mil venezuelanos em Boa Vista. Os dados não batem. Eu sei fazer conta e a conta não fecha”, enfatizou.

Na visão do empresário, “se a gente for fazer uma conta mais honesta, vamos chegar num número de 180 a 200 mil pessoas dentro de uma cidade que a população, três anos atrás, era de 350 mil pessoas. Então, em dois anos, nós temos mais da metade do que nós tínhamos. A gente não precisa ser hipócrita para entender que um país não cabe dentro de um estado. Boa Vista é uma cidade pequena”, afirmou.

Quanto à morte do irmão, Brito disse que era previsível, mas nunca se espera que seja de alguém muito próximo, além de dizer que serve como exemplo. “Infelizmente é assim que funciona e percebemos que ninguém está preocupado com isso. O Estado já não arrecada o suficiente e ninguém acordou que o setor empresarial que é quem sustenta ou sustentaria o Estado. Aqui, ninguém gosta de empresário. Eles até matam os empresários. O que acontece é que roda grande está passando por dentro da roda pequena, e isso é complicado. É o desmantelo de tudo”, acrescentou.

Brito não foi otimista em relação ao futuro. “Como familiar do homem que foi brutalmente assassinado em um roubo, me considero um sujeito equilibrado e já passei por tantas provações que essa é só mais uma. Eu fico com pena porque daqui a pouco o jornal de vocês vai noticiar outros empresários, outras pessoas, outros profissionais liberais, abatidos por eles [imigrantes] que vão buscar onde tem e onde tem. É nas nossas casas. Daqui a pouco as nossas casas vão ser invadidas”, lamentou. 

No que se refere à Operação Acolhida, o irmão da vítima disse que gostaria que a mesma política abrangesse os brasileiros. “Eu só gostaria de pedir que tivesse uma Operação Acolhida para os brasileiros que moram aqui, que nasceram aqui, que escolheram aqui para viver e realizar seus sonhos, como ele [irmão assassinado], como a gente. Tem que cuidar dos índios e das pessoas que estão abandonadas também. Houve um repasse de 280 milhões do governo federal para o Exército. Isso é um absurdo. Quem paga essa conta?”, questionou. (J.B) 

Ministério não diz se Força Nacional pode atuar na imigração

Diante dos questionamentos da população, que cobra uma medida para que os crimes praticados por estrangeiros deixem de ocorrer, a Folha entrou em contato com o Ministério da Justiça para saber do trabalho desenvolvido pela Força Nacional de Segurança no Estado e, na ocasião, perguntamos sobre o quantitativo de policiais que foram enviados e o trabalho que realizam. No entanto, fomos comunicados que, por questões de segurança, as informações sobre o efetivo não poderiam ser repassadas.

O Ministério apenas enviou a portaria que trata da prorrogação da Força Nacional em Boa Vista.

O pedido de prorrogação foi feito pelo governador Antonio Denarium no dia 23 de janeiro deste ano, por meio de ofício que ressaltava o atual quadro de instabilidade na Segurança Pública do Estado, em virtude de crise migratória e do sistema penitenciário. Os policiais devem atuar nas atividades e serviços imprescindíveis à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, em apoio aos órgãos de segurança pública estaduais. (J.B)

Governo disse que intensificou ações de segurança pública

O Governo de Roraima se manifestou, por meio da Secretaria de Segurança Pública (Sesp), e informou que o aumento da criminalidade é um fator social enfrentado por todos os estados brasileiros.

“Nesse sentido, o Governo do Estado tem intensificado as ações de segurança pública e em caso de crime contra a vida, os casos têm sido elucidados de forma rápida, utilizando-se de aparato de investigação e inteligência”.

No caso do empresário Antônio Coelho de Brito, de 69 anos, vítima de latrocínio, a dupla de criminosos foi detida por militares do BOPE (Batalhão de Operações Especiais) ainda no domingo, dia 16, quando ocorreu o crime.

“Após os procedimentos legais na Central de Flagrantes, a dupla foi conduzida para a audiência de custódia. Um dos envolvidos, que é menor de idade, aguarda decisão da Justiça. O outro teve a prisão em flagrante convertida em prisão preventiva”.

A ação policial para a prisão dos criminosos demonstra o compromisso em elucidar casos de forma veloz. (J.B)