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MOSCA DA CARAMBOLA
Produtor denuncia dificuldade em passagem de produtos não afetados
O agricultor Pedro Osório, do Amajarí, afirma que está tendo problemas para passar com alimentos na barreira fitossanitária
Por Paola Carvalho
Em 09/09/2019 às 01:26
O agricultor Pedro Osório, do Amajarí, e o secretário Emerson Baú em entrevista ao Agenda da Semana da Rádio Folha (Fotos: Wenderson de Jesus)

Com a reativação das barreiras fitossanitárias nos municípios de Roraima para ampliar o combate à mosca da carambola, produtores rurais do interior do Estado alegam que têm enfrentado dificuldades para transportar alimentos que não são atingidos pela praga.

A denúncia foi apresentada pelo produtor rural Pedro Osório da Silva, do Projeto Ajanari, ao programa Agenda da Semana, na Rádio Folha 100.3 FM no domingo, 08. A entrevista contou também com a participação do secretário estadual de Agricultura, Emerson Baú, para esclarecer as dúvidas dos agricultores do Estado.

Segundo Pedro, há problemas na passagem de alimentos na barreira fitossanitária, mesmo aqueles que não fazem parte da lista dos que podem ser atingidos pela praga da mosca da carambola. “Eu não posso passar com nada. Nem coco querem deixar passar, farinha não passa. Se você trouxer um pouco a mais, eles barram. Tudo o que tiver de agricultura familiar não passa”, afirma o agricultor, morador do Amajarí.

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O secretário de Agricultura, Emerson Baú, explicou que as barreiras fitossanitárias são de responsabilidade da Agência de Defesa Agropecuária de Roraima
(Aderr) em parceria com a Superintendência Federal de Agricultura.

“Primeiro, é importante definir o que cada entidade representa. As barreiras foram uma exigência estabelecida pelo Ministério da Agricultura como pré-  condição para poder liberar algumas áreas, para exportação de frutas. Não é o Governo do Estado, foi o Governo Federal”, explica Emerson. “O Brasil nos impõe. Enquanto Estado, tem que seguir”, completa.

Conforme o secretário, toda a equipe de técnicos da Aderr vem desenvolvendo um trabalho para impedir a entrada da mosca em áreas onde ela ainda não chegou. “Roraima está buscando junto ao Governo Federal um volume maior para avançarmos no combate, não só na prevenção. O nosso principal fluxo é vindo da Guiana. A Guiana, como um todo, tem nove fiscais em todo o país, ou seja, um número muito reduzido. A ideia é que a gente consiga fazer um avanço”, afirma.

O secretário reforça ainda que, caso o alimento transportado pelo produtor rural não estiver na lista de produtos proibidos de transitar por conta da mosca, a população deve exigir a passagem. “Se for bloqueado por um fiscal, peçam uma declaração por escrito dizendo o que não foi deixado passar e apresentem junto à Secretaria de Agricultura, para a gente resolver essa situação”, afirmou. “A gente precisa ter essa informação para poder trabalhar”, completou.

ESCOAMENTO DA PRODUÇÃO – Outro ponto citado pelo produtor rural foi a questão de escoamento das produções. “Eu não dependo nem de energia. O meu sonho é uma estrada que eu pudesse passar ao menos com os meus cavalos. São cerca de 20 quilômetros de onde moro até um local onde tenha escolas e energia”, explicou Pedro Osório.

O secretário afirmou que o Governo Federal tem a responsabilidade pelas rodovias federais, o Estado pelas estaduais e prefeituras pelas municipais, mas,
embora seja de responsabilidade dos municípios, o Governo do Estado obteve uma articulação junto à Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) para atender a população no interior.

“As prefeituras também passam por dificuldades financeiras. Estamos desenvolvendo um trabalho de articulação com a Assembleia Legislativa, onde os deputados entenderam as demandas da sociedade. Todos os recursos de emendas impositivas eles dispuseram para serem trabalhadas em infraestrutura de rodovias. Hoje temos seis patrulhas mecanizadas que estão disponibilizadas de acordo com as prioridades, para fazer o trabalho de pavimentação nos municípios. Está previsto ainda a conclusão de mil quilômetros de vicinais ainda em 2019”, concluiu. (P.C.)

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