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SAÚDE
Pacientes reclamam de falta de ortopedista no HGR
Acompanhantes e pacientes falaram que não há quem receite medicação para os internados
Por Raisa Carvalho
Em 15/05/2019 às 18:19
Acompanhantes e pacientes que estão internados no Hospital Geral de Roraima procuraram à Folha para relatar a falta de atendimento médico no setor de ortopedia nessa quarta-feira, 15 (Foto: Diane Sampaio/Folhabv)

Acompanhantes e pacientes que estão internados no Hospital Geral de Roraima procuraram à Folha para relatar a falta de atendimento médico no setor de ortopedia nessa quarta-feira, 15.  Segundo eles, a informação é que não há médicos para prescrever medicação. 
Josimar Ferreira Santos está acompanhando o pai que está internado desde domingo (12).

Ele precisou fazer um exame de raio-x, porém não havia maqueiros para levarem o paciente para o exame.

“Eu mesmo levei o meu pai, nos disseram que o único médico ortopedista se demitiu. As medicações só podem ser feitas com autorização médica, e por isso, o meu pai está sem remédio e sentindo dores. Nenhum médico viu o resultado do exame. Nós estamos com os nossos familiares doentes, sabemos que a situação está difícil, mas não ter um único médico é inaceitável” explicou.


José Ferrari é morador do Cantá e disse que já foi mandado para a casa mesmo com a perna quebrada. Esperando pela cirurgia há três meses, ele teme que a situação se agrave devido sua diabetes;

“Moro no interior, e espero a cirurgia que não tem previsão.  Eu tenho que apelar, sou diabético e tenho comprovantes hospitalar que a minha cirurgia é de emergência. Se eu perder a minha perna quem vai se responsabilizar?” disse.

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Sem um ortopedista para o atendimento, os pacientes que tiveram suas cirurgias canceladas esperam em jejum.

 “Meu marido sofreu um acidente de moto  há um mês e meio. Fomos avisados que a cirurgia estava marcada para o dia 13 de Maio, segunda feira. Levei-o ao hospital para que houvesse a internação previa a cirurgia, iniciando um jejum que deveria durar 12 horas. Apos tudo isso, tivemos a notícia que a cirurgia não iria mais acontecer, pela simples ausência de materiais básicos dentro do centro cirúrgico.” disse uma acompanhante que preferiu não se identificar.

Uma mãe que acompanha o filho de catorze anos também denunciou a estrutura do hospital.

“No leito que meu filho está internado, a janela está quebrada com as chuvas está molhando tudo. É uma situação de insalubridade total, tem formiga, barata e besouro”  contou.

Governo do Estado - A Folha procurou a Secretaria Estadual de Saúde e aguarda o retorno. 

Governo do Estado - A Secretaria de Saúde negou que há falta de ortopedistas para atendimento de pacientes e prescrição de medicação e informou que o médico em questão solicitou exoneração do cargo de coordenador da ortopedia por motivos pessoais, na tarde de terça-feira, 14 de maio de 2019. Informa também que o referido médico é servidor concursado e continua cumprindo sua carga horária prevista como ortopedista.

Maqueiros

Informa ainda que a Unidade dispõe de maqueiros, mas que, em momentos de pico nos atendimentos, são priorizadas as portas de entrada de urgência e emergência do Pronto Socorro. Sobre a limpeza, a direção informou que está sendo realizada normalmente, conforme a rotina do Hospital.

Cirurgias eletivas

Quanto as cirurgias, a Sesau esclarece que os procedimentos eletivos acontecem por meio da Fila única do SUS, um projeto desenvolvido pelo Ministério da Saúde que foi implantando em 2017 em todos os Estados, após reuniões na Comissão Intergestores Tripartite – comissão em que se reúnem Estados, Municípios e o Governo Federal, por meio do Ministério da Saúde, para discutir assuntos de saúde – que buscavam mais celeridade a esses procedimentos.

A indicação cirúrgica é realizada por um formulário disponibilizado pelo médico, onde são inseridas todas as informações da situação clínica do paciente. Depois de finalizados os exames para comprovação da necessidade do procedimento, o paciente realizará o cadastro na fila única nas unidades solicitantes, onde o próprio paciente teve a indicação: Clínica Médica Especializada Coronel Mota, Centro de Referência da Saúde da Mulher, Hospital da Criança Santo Antônio, ou pela Unidade de Assistência em Alta Complexidade em Oncologia.

A unidade solicitante é responsável por realizar o cadastro dos pacientes no sistema. Logo após, os cadastros são consultados pela Coordenação Geral de Regulação, Avaliação, Auditoria e Controle por médicos que irão analisar os prontuários e classificar a prioridade dos atendimentos conforme protocolos da especialidade ligada ao procedimento cirúrgico.

Os atendimentos são feitos por ordem de prioridade, segundo a linha de risco, em termos de complicações sistêmicas, nos órgãos, com sinais clínicos ou radiológicos de doença avançada. Também, por tempo de espera na fila e conforme leis vigentes de priorização.

Capacidade cirúrgica

Além disso, todas as unidades de saúde que executam os procedimentos, HGR, HMI e Hospital da Criança, estão equipadas por um núcleo interno de regulação e de programação cirúrgica. Local que indica a capacidade cirúrgica das unidades e encaminha os dados para a central de regulação, que será a responsável por convocar os pacientes para a cirurgia.

Caso ocorra algum impedimento para a realização do procedimento cirúrgico, o paciente retornará para mesma posição na fila, aguardando a nova chamada. Para os pacientes que se encontram internados, a inserção no sistema é realizada na Unidade de Saúde, onde está sendo assistido, facilitando e acelerando a realização dos procedimentos prioritários.

As cirurgias da fila única são aquelas em que o paciente pode aguardar. As cirurgias de urgência e emergência são realizadas de imediato pelo HGR e por isso não entram na fila. Com a data marcada, um técnico responsável entrará em contato com o paciente para avisá-lo da data e quando ele deve se apresentar no HGR para internação.

A Secretaria informa, ainda, que as cirurgias eletivas estão ocorrendo normalmente, conforme disponibilidade de leitos nas unidades hospitalares e o recebimento de insumos pela Coordenação Geral de Assistência Farmacêutica.

Ressalta que qualquer cidadão tem o direito de reclamar caso seja mal atendido e que, para isso, o Estado dispõe da Ouvidoria do SUS, que é o órgão responsável por apurar as demandas relacionadas à saúde e dar um retorno à população, processo que é monitorado pelo Ministério da Saúde e pode ser acessada por telefone (95) 2121-0590 ou 136/Nacional, por e-mail (ouvidoriasus.rr@gmail.com), pessoalmente ou por carta endereçada à Ouvidoria da Sesau, localizada na Rua Madri, 180, Aeroporto, Boa Vista-RR, CEP 69.310.043.

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