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UNIDADES DE SAÚDE
Parlamentares visitam unidades e questionam qualidade de materiais
De acordo com os deputados estaduais, os materiais para os profissionais de saúde são de “péssima qualidade” e não impedem contaminação
Por Paola Carvalho
Em 06/06/2019 às 01:23
Entre as soluções apontadas pelos deputados está a criação de uma comissão de parlamentares e das prefeituras de Boa Vista e Pacaraima com destino à Brasília (Foto: Supcom ALE-RR)

Uma comissão de parlamentares da Assembleia Legislativa de Roraima visitou o Hospital Geral de Roraima (HGR) e a Maternidade Nossa Senhora de Nazareth para averiguar a situação das unidades de saúde do Estado. De acordo com os deputados, os materiais utilizados pelos profissionais de saúde adquiridos pelo Governo do Estado, são de baixa qualidade.

Durante a sessão ordinária de ontem, 05, o deputado Nilton do Sindpol (Patri) informou que participou de visita ao HGR na terça-feira junto dos deputados Neto Loureiro (PMB) e Renan Filho (PRB). A visita ocorreu depois de um posicionamento do também deputado Jeferson Alves (PRB).

Entre os questionamentos feitos pelos parlamentares estão a quantidade de moscas presentes no HGR, a falta de uma máquina de cateterismo para pacientes cardíacos e a utilização de touca no preparo dos alimentos servidos aos pacientes e acompanhantes.

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No caso dos itens de baixa qualidade, Nilton chegou a apresentar um dos materiais utilizados pelos profissionais, uma luva, que segundo ele é do mesmo tipo de material usado em salões de beleza, podendo ser facilmente rasgada e não impede o risco de contaminação.

Outra observação do parlamentar é que muitas vezes os profissionais de saúde precisam dar novas utilidades aos itens hospitalares. “Esse tipo de material é de péssima qualidade. E ele é utilizado não só como luva, mas também para prender o braço dos pacientes que precisam de soro, como ‘garrote’, isso quando tem. Quando não tem são os profissionais que precisam segurar com força os braços dos pacientes. Isso é inadmissível”, avaliou Nilton.

O deputado Neto Loureiro (PMB) afirmou que enfermeiros do HGR fizeram pedidos por equipamentos de bomba de infusão, além da possibilidade de indicação para a aquisição de uma ambulância que atenda a unidade.

Renan Filho quer viabilizar ida de comissão a Brasília

Já o deputado Renan Filho (PRB) informou que durante a visita recebeu a informação de que ao menos 40% das pessoas que procuram o HGR são imigrantes, algo que impacta o atendimento e os insumos. 

“O imigrante qualquer dor que sinta vai ao HGR, até por que ele está na rua, então, ele não tem para quem pedir socorro. Todos nós estamos sujeitos a passar por um problema na vida e o primeiro hospital que nos vai socorrer é o Hospital Geral”, declarou.

Por conta disto, o parlamentar pediu pela união dos deputados estaduais, federais, senadores e prefeituras de Boa Vista e Pacaraima para cobrar uma solução junto ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL).

“Temos que tomar um posicionamento para que o Governo Federal possa acolher Roraima. O Estado tem ficado em segundo plano. E isso é que o presidente Bolsonaro sempre diz que Roraima é a “menina dos olhos”. Já que é, que olhe com carinho para esse estado. Queremos ir a Brasília pedir uma solução definitiva para esse caso, pelo menos, na questão da saúde”, acrescentou.

Jeferson Alves afirma que terceirizadas devem fazer sua parte

Em entrevista à Rádio Folha 100.03 FM na tarde de ontem, 05, o deputado Jeferson Alves (PTB) também se pronunciou sobre a atual situação da saúde estadual e afirmou que o serviço da alimentação, de manutenção de equipamentos e demais contratos vigentes não atendem à demanda da população.

O parlamentar informou ainda que o problema de má qualidade da alimentação é visto tanto no Hospital Geral quanto na Maternidade Nossa Senhora de Nazaré, ressaltando que não se pode admitir que o poder executivo banque um serviço que não seja de excelência.

“O Governo paga, mas paga por um serviço mal realizado, muito ruim. Então, é nosso dever questionar isso e fiscalizar a aplicação do recurso público”, afirmou Jeferson. Apesar das críticas, o deputado ressaltou que os parlamentares foram recebidos por representantes da Casa Civil do Governo do Estado, para tratar das demandas vistas nas unidades de saúde. 

“A Secretaria Estadual de Saúde foi acionada prontamente para que tomassem as providências e que fossem verificados os questionamentos feitos. O Governo tem tentado ajudar, mas alguns trabalhos executados são de responsabilidades de empresas terceirizadas e elas também tem que fazer a sua parte”, completou Alves.

Com relação à infraestrutura das unidades, o parlamentar reforça que é preciso compreender a situação do Estado que há anos atua praticamente com um hospital de grande porte e uma maternidade, no caso, o Hospital Geral de Roraima e a Maternidade Nossa Senhora de Nazaré.

“A estrutura há anos é precária. Estamos na iminência de estrear o novo bloco do HGR que vai desafogar um pouco, mas ainda assim não será o suficiente. Vai ter que ser feito uma nova estrutura. A população aumentou muito, principalmente por conta da migração, e o poder executivo não recebeu um centavo para isso. Em cinco meses não tem condição de cobrar um resultado de coisas que há 15 anos estão ocorrendo, mas há pontos que podem ser vistos”, frisou Jeferson.

Sesau afirma que há dificuldade para compra de materiais

Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde informa que tem tentado insistentemente adquirir os materiais hospitalares através de processos de licitação, no entanto há dificuldade para aquisição dos insumos.

“Os resultados de muitos desses processos licitatórios têm sido desertos ou fracassados, o que acontece quando as empresas não têm interesse em vender para a Sesau”, declarou a pasta.

De acordo com o Governo do Estado, acredita-se que o desinteresse das companhias ocorra pelo alto custo do frete para a região norte, por débitos que não foram quitados em gestões anteriores ou pelo valor da cotação de medicamentos e materiais médico-hospitalar que a Secretaria obrigatoriamente deve respeitar.

Quanto à qualidade dos materiais, no caso, das luvas utilizadas pelos profissionais, a Sesau ressalta que todos os materiais ou medicamentos adquiridos possuem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão que atesta a qualidade e segurança de utilização desses itens.

Sobre a aquisição de um novo veículo de transporte de pacientes para o HGR, a secretaria informou que já possui um processo de licitação para aquisição de novas ambulâncias em andamento. “Quanto aos equipamentos, a Sesau está adquirindo diversos equipamentos novos através de emendas parlamentares em várias fases de tramitação”, finalizou a pasta. (P.C.)

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