CRIANÇA NÃO NAMORA
Pediatra alerta para riscos de incentivar o namoro entre crianças
Segundo a médica, incentivar ‘o selinho’ entre crianças pode fazer com que os pequenos pulem uma fase
Por Raisa Carvalho
Em 14/09/2018 às 09:00
Para a pediatra, namoro só na adolescência e fase adulta (Foto: Nilzete Franco - FolhaBV)

Nem de brincadeira, crianças não devem namorar. No universo infantil, perguntas aparentemente inocentes, como “quem é seu namoradinho na escola?”, podem ganhar outra conotação e virar gatilho, inclusive, para a sexualidade precoce. 

A sociedade Brasileira de Pediatria lançou uma diretriz orientando os pediatras a conversarem com os pais sobre o assunto. Antes que se diga que a ação é mais um excesso de patrulha politicamente correta sobre uma brincadeira inocente, a pediatra Ana Carolina Brito relata que o estímulo pode incentivar a crianças ao contato com a erotização antes da hora.

“Criança não deve namorar, nem de brincadeira, nem por orientação dos pais. Nós como adultos devemos sempre incentivar que as crianças tenham amigos. A criança pode e deve usufruir da amizade através do abraço, de ter um companheiro para as brincadeiras, de dividir seus brinquedos e objetos, e quando houver um carinho, ou um beijo, que ele deve ser dado no rosto como se dá com qualquer amigo” explica.

A pediatra fala que, mesmo que façam como uma brincadeira, os adultos que perguntam à criança sobre os namorados da escola fazem com que ela desloque seu interesse para coisas que não combinam com a infância.

Segundo a médica, incentivar ‘o selinho’ entre crianças pode fazer com que os pequenos pulem uma fase.

“Durante a infância não existe o apelo sexual que só deve acontecer em outro momento da vida, depois da adolescência e da puberdade para a idade adulta, quando os hormônios estão amadurecendo.

Nessa fase, os pais devem começar a conversar com os filhos sobre sua iniciação sexual, para que eles não tenham uma curiosidade excessiva por falta de conhecimento” relata a pediatra.

O ideal é que os pais falem sobre a amizade e que estabeleçam um relacionamento saudável sem a erotização precoce.

“Na nossa região, existe uma iniciação sexual muito cedo, inclusive com partos em adolescente decorrentes, isso só traz prejuízo, para a menina que passa por uma gestação fora de um período em que seu corpo está preparado para isso, quanto para um menino que não entende muito bem qual é o seu papel de pai numa sociedade” reforça.

Para a pediatra, o papel dos adultos é não falar a palavra namoro até a idade em que se deve namorar.

“Namoro apenas como adultos e adolescentes, mas criança não.  E a melhor forma de propagar isso, é dando o exemplo, cenas de carinho mais intimo não devem ser compartilhadas em frente de crianças, já existe muitas cenas divulgadas em novelas e filmes que despertam essa curiosidade fazendo com que os pequenos questionem isso. É preciso dar esse norte, vai haver o tempo certo para namorar e se a criança quiser fazer um carinho, pode dividir o brinquedo, o aperto de mão e o beijo no rosto” reforça. 

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