SEGURANÇA ENERGÉTICA
Privatização da Eletrobras põe em risco Linhão de Tucuruí, alerta Ângela Portela
Por Folha Web
Em 11/07/2018 às 01:51
Ângela Portela: “Há necessidade da construção do Linhão para que tenhamos em Roraima a nossa segurança energética” (Foto: Agência Senado)

A senadora Ângela Portela (PDT) classificou a proposta de privatização da Eletrobras como impopular e danosa ao país, alertando que a venda das distribuidoras estatais prejudicará decisões estratégicas para a segurança energética do país.

Em pronunciamento realizado ontem, 10, ela chamou atenção para as condições “críticas” de Roraima, que depende da energia da Venezuela complementada por termelétricas. Segundo Ângela, em caso de privatização, os investidores particulares não se interessarão em concluir o Linhão de Tucuruí, que interligará Roraima ao Sistema Interligado Nacional.

“Há necessidade da construção desse Linhão para que tenhamos em Roraima a nossa segurança energética. Se não conseguimos desenvolver esta obra quando o governo conduz a Eletrobras, não será com a empresa nas mãos de capitalistas estrangeiros que nós conseguiremos”, alertou.

Ela lembrou que a bancada governista da Câmara dos Deputados aprovou na semana passada - contra o voto de todos os deputados da região Norte - substitutivo para o projeto de lei do Executivo que viabiliza a privatização de seis distribuidoras de energia controladas pela Eletrobras. Entre elas, está a Boa Vista Energia, que atende Roraima.

"À parte a alienação a preço vil de um patrimônio que pertence a todos os cidadãos deste país, a privatização representará a renúncia a decisões estratégicas que se transferirão do Brasil para empresários comprometidos apenas com o próprio lucro", registrou a senadora.

Os graves problemas que a privatização trará não se esgotam aí, segundo a senadora. Ela denunciou que haverá aumentos significativos no custo da energia elétrica para os consumidores. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) admite que esse aumento nas contas de luz chegará de imediato a 16,7% e outros se seguirão. Especialistas acreditam que o reajuste pode atingir 70%, registrou Ângela.

O problema é particularmente sério em Roraima, por não estar integrada ao Sistema Interligado Nacional. Sem o Linhão de Tucuruí, única forma de se conseguir essa integração, os roraimenses estarão condenados a permanecer com energia cara e ruim, o que prejudica seu bem estar, o desenvolvimento do Estado e a criação de empregos. "Compramos energia de péssima qualidade da Venezuela e somos forçados a complementá-la com energia termelétrica de pior qualidade ainda. Mas pagamos caríssimo por isso, pois o custo das termelétricas é muito elevado", disse Ângela.

A senadora concluiu dizendo que o custo médio do megawatt/hora consumido em Roraima é de R$ 931,38, correspondendo a mais do dobro da média nacional, que é de R$ 409,95. De acordo com Ângela, "a venda dessas distribuidoras a preço de banana trará um prejuízo enorme para os estados, mas a maior prejudicada será a população, de todo o País e em especial de Roraima, que pagará mais caro ainda pela energia elétrica".

Rejeição ao governo Temer

Ângela Portela também citou os elevados índices de rejeição do governo do presidente Michel Temer, registrados em pesquisa de opinião. Ela atribuiu esse sentimento ao “descaso” do governo pela área social e destacou os grandes cortes de verbas para o ensino superior.

Ângela ressaltou a insensibilidade do Planalto para todos os serviços públicos, em especial na área social, como saúde ou educação. Ela assinalou, porém, que mesmo na área econômica, considerada o grande trunfo do atual governo, a reprovação é generalizada.

Isso se demonstra no alto nível de desaprovação do Planalto em itens como desemprego e saúde, ambos acima de 87%. Ângela lembrou que, para comprovar essa insensibilidade, um estudo acaba de constatar que as universidades federais tiveram em 2017 o menor repasse de verbas em sete anos. Nesse período, o repasse garantido pelo MEC encolheu 28,5%. "Veja-se a gravidade desse dado: quase um terço dos recursos para a universidade pública, que conduz o ensino e a pesquisa no País, foi cortado nesse período", denunciou Ângela.

Não é apenas na área social que o governo encontra ampla rejeição por tomar decisões impopulares. 

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