Cotidiano

Professores reclamam de fechamento de centros especializados

Representantes de professores dos Centros de Educação Especializada, responsáveis pela formação dos profissionais dentro da Política Nacional de Educação Especial, protestaram contra as atuais reformulações das unidades de ensino. A alegação é que tem ocorrido o fechamento delas no período noturno e remanejamento de professores.

O ato pacífico ocorreu em frente à sede do Sindicato dos Trabalhadores de Educação do Estado de Roraima (Sinterr) na manhã de sábado, 9. A categoria classificou as recentes medidas como um “desmonte” na educação para a comunidade de alunos portadores de deficiência.

Em nota assinada pelos professores dos Centros de Educação Especializada, eles lembraram o discurso em Libras (Língua Brasileira de Sinais) da primeira-dama, Michele Bolsonaro, que no dia da posse do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), se dirigiu a todos os brasileiros surdos e, por extensão, a toda a comunidade da educação especial.

A categoria acredita que o momento ocorrido na posse do presente simbolizou um compromisso de que os profissionais da educação especial seriam valorizados, não mais esquecidos e que haveria um olhar diferenciado para essa comunidade.

“Na contramão desse discurso, aqui no Estado de Roraima, instalou-se o maior desmonte já visto na Educação com o fechamento dos Centros de Educação Especializada e professores remanejados sem lotação com a célebre justificativa do ‘ajuste nas contas’ e ‘otimização de pessoal’. Sabe-se que não é esse mínimo orçamento que onera as finanças do Estado”, afirmou em nota a categoria.

Os professores afirmaram ainda que, medidas como as recentes, demonstram um descaso com os estudantes e os profissionais de ensino.

“Dessa forma, perdem-se os alunos, tornando-se mais uma vez esquecidos, e professores que dedicaram a docência em atendimento a essa comunidade. Lamentável”, finalizou a nota.

OUTRO LADO – Em nota, a Secretaria Estadual de Educação informou que a medida de fechamento no período noturno foi tomada com base em um levantamento de informações sobre o cronograma de atividades nos centros, porém, não citou o remanejamento de professores.

Sobre a mudança de horário, a Seed informou que essa modalidade de educação necessita de muitos investimentos para cumprir seu papel de inclusão social e a análise das situações de matrículas nos centros comprovou que não havia atendimento noturno.

“Os horários de atendimento seguem cronograma intercalado de no máximo três vezes por semana, no expediente diurno”, revelou a Seed.

Os centros ficam abertos à noite com um número significativo de professores para realização de cursos esporádicos, o que não justificaria a manutenção do expediente noturno, diz a Seed. “Os processos de capacitação podem ser ofertados no horário diurno, sem prejuízo dos atendimentos”, justificou.

A pasta também reforçou que as medidas atendem à premissa do governo do Estado de que a educação inclusiva requer do Poder Executivo “uma política séria e que contemple as reais necessidades dos alunos, sejam eles matriculados nas escolas da rede e com atendimento nas salas multifuncionais ou aqueles que têm atendimento nos Centros Especializados”.