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OPERAÇÃO ACOLHIDA
Quase 580 militares serão substituídos para nova etapa
Por Folha Web
Em 29/01/2019 às 00:25
Coronel Carla Beatriz ficará à frente da operação durante essa nova etapa (Foto: Priscilla Torres/Folha BV)

FABRÍCIO ARAÚJO

Colaborador da Folha

O terceiro agrupamento da “Acolhida” deixa Roraima após quatro meses atuando. Por causa da operação, o Ministério da Defesa considerou necessário um mês a mais do que era previsto. A transição para o quarto grupo foi realizada em duas etapas. A primeira, em 25 de janeiro e a segunda, no dia 29. No total, 515 militares da Aeronáutica, Exército e Marinha farão parte desse novo período para substituir os 579 que chegaram ao Estado em 29 de setembro.

Major Milanez foi o responsável pelo terceiro contingente e disse que se despede de Roraima com a sensação de dever cumprido. De acordo com ele, o Posto de Triagem (PTrig) foi construído 11 dias antes da chegada de seu grupo. Dessa forma, conseguiram fazer os atendimentos de triagem ainda no início.

Milanez também ressaltou que a equipe participou da construção do posto de informações, localizado na Rodoviária Internacional de Boa Vista, que é o primeiro ponto de chegada para os imigrantes e oferece um guarda-volumes, alimentação e pernoite em área protegida.

“Nos despedimos de Roraima com a missão cumprida. Conseguimos manter todo o trabalho do primeiro e segundo contingentes. Esperamos que o quarto consiga manter a mesma pegada, com o mesmo ritmo de trabalho”, declarou o major.

Ainda de acordo com Milanez, a substituição não deve alterar as ações das forças armadas, pois se trata somente de uma troca de equipe. Para ele, o foco deve continuar na interiorização dos venezuelanos, pois é uma forma de continuar dividindo a responsabilidade da imigração com os militares do resto do Brasil.

“A verba de que a Operação Acolhida dispõe atende a missão até março de 2019. Na última visita da comitiva ministerial, houve sinalização do presidente, repito, sinalização, de que a operação seja prorrogada até março de 2020, ou seja, mais um ano. Ainda estão levantando os valores que serão necessários e estamos aguardando a divulgação oficial”, declarou.

SUBSTITUTA – Pela primeira vez, a Operação Acolhida terá uma mulher a frente da coordenação. A coronel Carla Beatriz chegou semana passada e disse que a previsão é que fique em Roraima pelos próximos seis meses. Ela deseja que ao final deste período possa conseguir sentir que fez o melhor trabalho possível tanto para o povo do Estado, quanto para os venezuelanos.

“A minha maior motivação foi o povo de Roraima. Eu acho que este trabalho, claro que é para o povo que precisa de ajuda, mas para desafogar o nosso Estado que já vinha sofrendo com esta imigração havia algum tempo, de forma desorganizada”, declarou a coronel.

A nova responsável pela Operação Acolhida disse ainda que sabe que o povo de Roraima ficou “chateado” com a situação no início, pois era difícil lidar com o novo e com uma cultura diferente, mas acredita que a população ficou mais sensibilizada nos dez meses de operação.

Na última semana, o mundo assistiu aos protestos contra Maduro ganharem força na Venezuela e a coronel afirmou que já estava de olho na fronteira para lidar com situações que pudessem fugir do controle, mas destacou não ter havido alteração.

“O fluxo até agora se mantém estável. Essa situação não mudou em nada a operação. No dia da manifestação, eu estava em Pacaraima e a fronteira estava muito tranquila, não passava nada, estava tudo muito tranquilo. Então, acho que da forma que a coisa está sendo conduzida, dos dois lados da fronteira, continuarão estáveis”.

FRONTEIRA – De acordo com o major Milanez, a entrada de imigrantes no Brasil pela fronteira de Pacaraima com Santa Elena fica entre 500 e 600 pessoas por dia. Mas, segundo ele, menos de 5% permanecem em Roraima. A maioria se desloca para outros Estados ou países da América.

Crianças, jovens e adolescentes representam 40% dos imigrantes. De acordo com Milanez, a maioria dos imigrantes é formada por homens porque é mais comum que eles se aventurem em sair do país de origem para buscar novas oportunidades e só depois levam o restante da família.

“Na fronteira, todo imigrante é recebido, identificado e cadastrado por algumas agências e pela Polícia Federal. Ainda lá, eles tiram o CPF e são imunizados porque é exigido pelo Ministério da Saúde para entrar no Brasil. Se o imigrante pedir refúgio ou residência temporária, é encaminhado para o posto de triagem e aí, sim, ele entra em outra bateria de cadastros pela Acnur [Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados], pela OIM [Organização Internacional para as Migrações] e recebe um tratamento com mais detalhes”, declarou o major Milanez. (F.A)

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