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CRISE NA FRONTEIRA
Roraima terá centro de ajuda humanitária a venezuelanos
Do centro de ajuda humanitária em Roraima, devem partir medicamentos e mantimentos para a Venezuela, mas ainda não foram definidos prazos
Por Cyneida Correia
Em 12/02/2019 às 00:50
Representante da oposição venezuelana Maria Teresa Belandria e chanceler Ernesto Araújo se reuniram ontem (Foto: Reuters)

Roraima terá um centro de ajuda humanitária para a Venezuela. O anúncio foi feito ontem, 11, após encontro do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, com representantes venezuelanos que pediram medicamentos e alimentos, mas também apoio logístico, transporte e segurança.

Do centro de ajuda humanitária em Roraima, devem partir medicamentos e mantimentos para a Venezuela, mas não foram definidos quais materiais específicos o Brasil remeterá ao país vizinho, nem quando, de fato, a ajuda será iniciada. A reportagem da Folha de Boa Vista tentou contato com o Exército e com a assessoria da Operação Acolhida para verificar mais informações sobre o assunto, mas não conseguiu retorno. O governo de Roraima também foi procurado, porém não se pronunciou.

O chanceler Ernesto Araújo reuniu-se em Brasília com a representante diplomática do autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, a advogada María Teresa Belandria, e com o deputado da Assembleia Nacional Lester Toledo, encarregado da organização do ponto de apoio. Segundo Toledo, a intenção do grupo de venezuelanos é vir na próxima semana a Roraima para verificar onde o centro poderá ser instalado, em Boa Vista ou Pacaraima.

“Agora, o governo brasileiro nos deu respaldo total para abrir um segundo caminho para ajuda humanitária”, disse Toledo a jornalistas. "Há dezenas de países da região do Grupo de Lima que estão disponíveis para trazer as primeiras toneladas de ajuda, mas sem a boa vontade do governo do Brasil, seria impossível."

A embaixadora de Guaidó disse que pretende ir ao encontro dos venezuelanos em solo brasileiro. María Teresa agradeceu nominalmente ao presidente Jair Bolsonaro e ao governo brasileiro por atender refugiados abrigados em Pacaraima e Boa Vista, evitando que os abrigos entrem em colapso.

O aumento do fluxo ao Brasil é hoje a principal preocupação das Forças Armadas brasileiras. Até a semana passada, o Ministério da Defesa não tinha nenhuma nova frente de trabalho para ampliar o modo de ajuda humanitária. O País deve participar do apoio aos venezuelanos por meio de instituições internacionais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA), e não unilateralmente.

O deputado do partido Vontade Popular Lester Toledo que trabalha na coordenação da “Coalização Ajuda e Liberdade” disse que o governo vai ajudar muito com um centro de distribuição e estoque, logística e transporte, e confirmou a vinda ao Estado.

"Vamos a Roraima nos próximos dias fazer uma visita in loco para ver onde funcionará o centro de ajuda humanitária. A ajuda começa nos próximos dias."

IMPASSE- A fronteira brasileira com a Venezuela passa pela terra indígena Pemon e os chefes da tribo também teriam garantido, segundo os venezuelanos, que permitirão a passagem por suas terras. Os militares venezuelanos, no entanto, ainda sob as ordens de Maduro, têm impedido a entrada.

Não está definido se o centro de distribuição será instalado em Pacaraima ou Boa Vista. A recém-nomeada embaixadora disse que terá encontros nos próximos dias com o grupo de trabalho responsável pela ajuda humanitária coordenado pelos ministérios da Defesa e Saúde.

Segundo María Teresa Belandría, a população venezuelana precisa de alimentos, medicamentos, além de apoio logístico, transporte e segurança.

De acordo com a comitiva venezuelana, doações de outros países, como os que compõem o Grupo de Lima, dos Estados Unidos, Canadá e da Europa, devem passar também pelo Brasil.

Pouco se sabe sobre o plano, sobre o qual o governo de Jair Bolsonaro não deu detalhes. Desde que assumiu o cargo, ele pede a saída de Maduro e a democratização do país vizinho. A Venezuela se tornou o principal cenário da enorme guinada na diplomacia brasileira desde a vitória eleitoral do ex-militar.

Embaixadora da Venezuelana confirmou vinda a Roraima

Após ser reconhecida pelo governo brasileiro como a embaixadora oficial da Venezuela e representante oficial do autoproclamado governo interino, María Teresa Belandria anunciou que virá a Roraima verificar a instalação de um centro de distribuição de ajuda humanitária na fronteira entre os dois países.

O chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, deve acompanhar a venezuelana na visita e foi quem se comprometeu em nome do governo Bolsonaro com a instalação do centro em Roraima.

“O chanceler vai acompanhar ao local, quando estiver instalado o centro, para mostrar não apenas o apoio através de toneladas de medicamentos e alimentos, mas o apoio político", disse Belandria depois do encontro.

Belandria afirmou que irá se concentrar em Roraima, onde, disse, estão os venezuelanos que precisam de ajuda.

A advogada Belandria garantiu que o centro de armazenamento brasileiro será criado "dentro de poucos dias" e que "centenas de toneladas chegarão nas próximas semanas" do Brasil e de outros países.

Quanto ao modo como as cargas entrarão no país vizinho, a única coisa que Lester especificou é que a entrega "será acompanhada por pessoas", por "venezuelanos que querem a chegada de ajuda e liberdade", que terão ao seu lado, afirmou, "os soldados da pátria" — em referência aos militares. No entanto, apesar da anistia oferecida por Guaidó e das deserções de dois comandantes de alto escalão, a maior parte dos militares permanece leal ao governo de Maduro. (C.C.)

Chanceler brasileiro também virá a Roraima para instalação de centro

Belandria, afirmou, por sua vez, que o chanceler Araújo iria pessoalmente ao centro, uma vez instalado, "para mostrar não só o apoio através do envio de toneladas [de ajuda], mas apoio político".

O Itamaraty, no entanto, adotou um tom mais cauteloso. Em nota, disse apenas que foram discutidas medidas capazes de viabilizar o envio de alimentos e remédios.

"O governo brasileiro está definindo, em processo de coordenação interministerial, formas do apoio que pode ser prestado ao povo venezuelano e ao governo do presidente Guaidó no processo de transição rumo ao restabelecimento da democracia na Venezuela". (C.C.)

Brasil reconhece presidente interino

O Brasil já havia reconhecido Guaidó como presidente legítimo da Venezuela, assim como Estados Unidos, União Europeia e o Grupo de Lima. O plano de Guaidó é recolher remédios e alimentos para introduzi-los na Venezuela. Pretende, desse modo, deixar os militares que vigiam a fronteira diante do dilema de desobedecer Maduro e permitir a passagem, ou impedir a entrada de suprimentos para uma população extremamente necessitada.

A ajuda armazenada na cidade colombiana de Cúcuta está parada desde quinta-feira, pois as autoridades venezuelanas bloquearam a travessia de vários caminhões na estrada que cruza a fronteira.

Depois de Guaidó se proclamar presidente interino da Venezuela e ser reconhecido pelos Estados Unidos, Brasil e boa parte da América Latina (com exceção do México e do Uruguai) e  dos países da União Europeia, a ajuda humanitária é outro dos elementos para instigar a deposição do chavismo. (C.C.)

Jose Ari da Silva disse: Em 12/02/2019 às 16:34:42

"se esta ação vier ser negativa para PACARAIMA nós não vamos permitir pois quem mora aqui somos nós "

Manuel disse: Em 12/02/2019 às 10:21:27

"E ajuda aos nossos desafortunados vão ter também? Esta estranho isto. É como se não tivéssemos desabrigados e carentes dentro de nosso próprio pais. Estão invisíveis nossos mendigos?"

Luiz Junior disse: Em 12/02/2019 às 09:59:20

"Coitado de nós"