Comunidade indígena na fronteira recebe atendimento de saúde - Folha de Boa Vista
BRASIL/VENEZUELA
Comunidade indígena na fronteira recebe atendimento de saúde
Povoado de Tarau Paru acolhe mais de 700 indígenas venezuelanos da etnia Pemón
Por Folha Web
Em 14/09/2021 às 10:17
Os atendimentos clínicos incluem avaliação geral, testagem para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e para detecção de COVID-19, exame de glicemia e pediatria (Foto: Divulgação)

Indígenas da comunidade do povoado de Tarau Paru receberam atendimento médico. A região acolhe mais de 700 indígenas venezuelanos da etnia Pemón. Os atendimentos clínicos incluem avaliação geral, testagem para Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e para detecção de COVID-19, exame de glicemia e pediatria. A equipe conta ainda com técnico de enfermagem para realização de triagem e administração medicamentosa.

As atividades de saúde da OIM contam com o apoio financeiro do Escritório de População, Refugiados e Migração (PRM) do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América.

A atuação da OIM ocorre ao longo de todo o ano em diferentes localidades de Roraima, estado vizinho da Venezuela e porta de entrada para refugiados e migrantes que buscam o Brasil para novas oportunidades de vida. Dados coletados pelo Subcomitê Federal para Recepção e Triagem dos Migrantes mostram que mais de 635 mil venezuelanos entraram em território brasileiro de janeiro de 2017 a agosto deste ano, com 43% deles permanecendo no país.

 No local, o único indicativo que o posto de saúde está no território brasileiro é a presença dos cartões do Sistema Único de Saúde (SUS).

Fátima e a família estão entre os 700 indígenas venezuelanos que hoje vivem na comunidade brasileira de Tarau Paru, a 8 quilômetros da cidade fronteiriça de Pacaraima, ao norte de Roraima. Entre as serras que formam a paisagem, está o caminho que indica a divisa entre o Brasil e a Venezuela. Antes da chegada dos refugiados e migrantes venezuelanos, os moradores formavam um povoado de pouco mais de 200 pessoas.

O deslocamento dos Pemón ocorreu de maneira mais intensa a partir de 2019, junto com o aumento do fluxo venezuelano para o Brasil. Para chegar em terra brasileira, a caminhada pode durar quase dois dias, com pausa para descanso entre às matas da floresta. Pela proximidade entre as comunidades dos dois países, Tarau Paru se tornou local de acolhimento por se tratar do mesmo povo indígena, com origem linguística e laços familiares ancestrais dos Taurepang.

As mudanças no local com a chegada do fluxo migratório podem ser visualizadas no aumento na quantidade de casas levantadas e no posto de saúde, com avisos fixados nas paredes de madeira com nomes de pacientes pouco comuns na língua portuguesa e que indicam a presença dos venezuelanos.

Esse aumento populacional trouxe desafios para os atendimentos em saúde na comunidade, especialmente no início da chegada dos migrantes.

“Quando os nossos parentes chegaram, tudo mudou. Em uma semana, eram mais de mil pessoas. Acolhemos porque são do nosso povo, mas ficou difícil dar suporte em saúde a todos. Eles precisavam de atendimento; muitos ficavam doentes. Graças ao apoio das organizações humanitárias, isso melhorou”, disse Guliane, uma das tuxaua (cacique) da comunidade.

Um dos principais suportes oferecidos veio com a chegada da equipe de saúde da Organização Internacional para as Migrações (OIM). Além da avaliação médica, refugiados e migrantes venezuelanos, assim como a população local, receberam encaminhamentos para exames na rede pública de saúde e puderam retirar medicamentos prescritos na Unidade Móvel de Saúde da organização.

Em cinco dias presente na comunidade no final de agosto, a equipe de saúde da OIM realizou cerca de 340 atendimentos médicos e 20 de psicologia, estes feitos dentro de uma escola para garantir a privacidade dos pacientes.

A tuxaua Guliane relembra que após a chegada dos indígenas venezuelanos, muitos permaneceram e fixaram moradia, outros deixaram a comunidade. A língua igualitária entre os indígenas Taurepang brasileiros e venezuelanos permitiu que as comunidades pudessem se reunir de maneira mais orgânica.

“Estamos contentes aqui, pois somos da mesma gente. Somos indígenas. Há muitas pessoas, muitas necessidades e muitos não têm como ir a Pacaraima. Receber atenção médica e medicação é muito importante para a gente, fico muito grata”, relatou Joan Ann, moradora da comunidade há quatro anos. Durante as consultas, pôde ser atendida junto com o filho. Logo depois, conseguiu retirar remédios na Unidade Móvel de Saúde para ela e o filho antes de retornarem para casa.

Fonte: OIM RR

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