Cultura

Lei de Incentivo à Cultura é discutida com representantes do segmento

Legislação ainda não foi regulamentada. Existem cerca de R$ 4,5 milhões disponíveis para investir nas produções culturais do Estado

A Frente Parlamentar em Defesa da Cultura da Assembleia Legislativa de Roraima (ALE-RR) se reuniu nessa segunda-feira (6) com o Comitê Pró-Cultura para discutir ações inerentes ao setor.

A reunião foi conduzida pelo presidente da Frente Parlamentar, Evangelista Siqueira (PT), e contou também com a presença dos secretários estaduais Emanuel Freitas, da Fazenda (Sefaz), e Shérisson Oliveira, da Cultura (Secult).

Quatro pontos foram abordados na pauta de discussão: a lei estadual de incentivo à cultura (1.545/2021); agenda com os pré-candidatos ao Governo do Estado para discutir propostas para o segmento cultural; departamento de turismo na estrutura da Secult; e alteração da lei estadual que institui o Conselho Estadual de Cultura (55/93), para incluir assentos para os segmentos indígena, gospel, hip hop e afro.

Entre os assuntos debatidos, o de maior destaque e mais urgência é o que trata da lei 1.545/2021, por necessitar de um decreto governamental regulamentando-a, pois existem cerca de R$ 4,5 milhões disponíveis para investir nas produções culturais do Estado.

“O anseio forte da categoria é essa lei, que está em amplo vigor, mas não com efetividade por falta de regulamentação. Os secretários de Fazenda e Cultura se comprometeram a dar agilidade ao processo. Sobre a agenda com os candidatos ao governo, vamos aguardar as propostas do comitê para que a Frente Parlamentar possa intermediar esse encontro”, disse Evangelista Siqueira.

O deputado ressaltou que, como os participantes não chegaram a um consenso com relação a dois pontos da pauta, outras reuniões vão ocorrer para debater o assunto.

“Sobre o departamento de turismo dentro da estrutura da Secult, vimos que o entendimento de alguns é de que é necessário desagregar; outros afirmam que é melhor manter. Temos uma discussão para ser amadurecida. O mesmo ocorre com o acréscimo de novas cadeiras no Conselho Estadual de Cultura”, ressaltou Siqueira.

Emanuel Freitas disse que a Sefaz vai se empenhar para atender com celeridade o setor de cultura, finalizando a elaboração do decreto que regulamenta a lei estadual de incentivo.

A reunião foi considerada positiva pelo titular da Secult. “A Lei de Incentivo à Cultura vai possibilitar que se injetem R$ 4,5 milhões, principalmente com essa nova edição, que não precisa da contrapartida do empresariado. Até a metade do ano, a gente pretende lançar os editais”, garantiu Shérisson Oliveira.

Ele ressaltou que a Secult também está trabalhando no processo eleitoral do Conselho Estadual de Cultura, uma vez que a última eleição foi em 2016. “Estamos com duas frentes: a eleição com formato original de 11 cadeiras, e, paralelo a isso, vamos alterar a Lei 55/93 de criação, com a Assembleia Legislativa, para adição de novas cadeiras, principalmente para a inclusão das culturas indígenas e gospel”, destacou Oliveira.

O empresário da área do turismo, Hélio Zanona, explicou que o setor em que atua e a cultura são áreas completamente afins. Segundo ele, este último é uma atividade econômica muito maior que a primeira.

“Se eu não vender um roteiro turístico, tiro da prateleira e crio outro roteiro e tento vender. Agora, não pode desistir da cultura. Ela precisa estar em pauta sempre. Pessoalmente, não sou favorável a ficarem juntos, mas o que importa é o resultado”, avaliou.

Representante de cinco associações indígenas, Evandro Pereira relatou que foi importante discutir a representatividade indígena no Conselho de Cultura. “A cultura indígena está associada à cultura popular, mas a sociedade em geral, legisladores e gestores têm que compreender que a cultura indígena é específica, milenar e ancestral. Para o nosso Estado, que é extremamente indígena, é inadmissível no Conselho de Cultura não se ter uma cadeira”, justificou.

Para o cineasta Éder Rodrigues, a reunião reforçou a luta de todos aqueles que buscam democratizar a cultura em Roraima. “O que queremos, enquanto movimento social e organizado, são prazos. Que se resolva a questão da Lei de Incentivo à Cultura, do Conselho de Cultura e que o fazedor de cultura seja beneficiado. Chega dos grandes pensarem por nós. Queremos pensar por nós mesmos, e este é um momento histórico, em que somos muito bem atendidos pela Frente Parlamentar da Cultura.”