Cotidiano

Vassoura-de-bruxa gera renda para produtores de cupuaçu

LEO DAUBERMANN

Editoria de Cidades

A vassoura-de-bruxa, doença que ataca o cupuaçuzeiro por meio de um fungo que fica disperso no ar em função do vento, temperatura e umidade, indo de uma planta para outra, comprometendo completamente a produção, agora é matéria-prima na fabricação de adubo em Roraima.

Essa prática sustentável foi possível graças ao trabalho de pesquisa da fitopatologista Hyana Lima-Primo, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em Roraima, que desenvolveu uma técnica de compostagem – espécie de reciclagem do lixo orgânico para gerar um adubo que pode ser usado tanto na agricultura quanto em jardins – a partir dos resíduos descartados dos cupuaçuzeiros.

De acordo com Hyana, não havia estudos sobre a produção de composto orgânico aproveitando os restos contaminados de cupuaçuzeiro, apesar da alta incidência da vassoura-de-bruxa em todos os Estados da Bacia Amazônica.

Conforme a pesquisadora, a técnica de compostagem elimina o patógeno causador da doença em razão da temperatura alcançada durante o processo de compostagem, que chega a 60ºC, suficiente para matar o fungo Moniliophthora perniciosa, o mesmo que ataca o cacaueiro.

“Eliminado o fungo, num prazo de cerca de 60 dias, o composto fica pronto para uso, podendo ser aplicado puro ou misturado com solo. O que antes era queimado ou descartado, acumulando moscas e roedores, agora virou composto orgânico”, ressalta a pesquisadora.

COMPOSTEIRAS – Ainda segundo Hyana Lima-Primo, foram montadas composteiras em comunidades indígenas na região de Pacaraima, em uma propriedade de agricultura familiar na área urbana do município, e também uma unidade demonstrativa no Cantá, onde a Embrapa tem um campo experimental.

 Mas tem quem prefere utilizar o composto orgânico para adubar o próprio pomar. É o caso do produtor de cupuaçu Osmar Batista de Souza, 55, residente na área urbana de Pacaraima. Ele tem uma produção de cerca de 800 pés de cupuaçuzeiros, iniciada há mais de 12 anos.

A vassoura-de-bruxa, considerada a principal doença do cupuaçuzeiro, causando a redução de até 70% da produtividade das plantas, chegou há menos de quatro anos no pomar de Osmar. “De uma hora para outra, vi minha plantação morrendo. Perdi muito dinheiro. Os técnicos agrícolas ensinaram a fazer a poda e a gente queimava todo o resíduo”, explicou.

Além do composto orgânico que está sendo utilizado como adubo para os pés de cupuaçu, o agricultor familiar está usando também o chorume – caldo escuro e ácido, de cheiro típico e desagradável, proveniente da decomposição da matéria orgânica – que sai durante o processo de compostagem, para adubação foliar.