
A equipe do Ministério de Minas e Energia (MME) apresentou o resumo do projeto atualizado da usina hidrelétrica do Bem-Querer. A construção do empreendimento no rio Branco, em Caracaraí, cidade do Sul de Roraima, deve custar R$ 10 bilhões. O montante equivale aproximadamente ao orçamento anual do Estado.
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A apresentação, obtida com exclusividade pela Folha, foi feita nessa quinta-feira (3), na Itaipu Binacional, terceira maior hidrelétrica do mundo, em Foz do Iguaçu (PR), durante encontro da Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados. Além de parlamentares federais, o evento reuniu representantes do governo federal e do setor elétrico brasileiro, e especialistas da área.
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Na reunião, a equipe da pasta explicou que Bem-Querer terá 650 megawatts de potência instalada, quase três vezes a mais que o necessário para abastecer Roraima, e vai beneficiar o sub-sistema elétrico de Boa Vista e Manaus. A obra promete gerar até cinco mil empregos.
O governo federal confirmou que a área do reservatório será de 640 quilômetros quadrados, aproximadamente do tamanho da capital catarinense Florianópolis, o que vai impactar 11,8 mil moradores, alagando principalmente algumas áreas rurais de Boa Vista, Alto Alegre, Cantá, Caracaraí, Iracema e Mucajaí. O ministério esclareceu que unidades de conservação e terras indígenas não serão atingidas, apesar de serem próximas da futura reserva.
A pasta defende que a usina vai garantir segurança e estabilidade no fornecimento elétrico do Estado e reduzir a emissão de gases poluentes. Além disso, ela será um complemento às linhas de transmissão do Linhão de Tucuruí – obra prevista para terminar neste ano e que promete interligar Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN) – em épocas em que os reservatórios de acumulação apresentarem tendência de esvaziamento. A compensação financeira anual será de R$ 20 milhões.
O projeto já passou pelas fases de Estudo de Impacto Ambiental, entregue em outubro de 2024, e aceitação positiva do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.
Atualmente, ele está na etapa de elaboração do Estudo do Componente Indígena, o que ainda depende de agendamento da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) para apresentação do plano de trabalho para as comunidades, assim como o aval delas para a execução do estudo nos territórios.
Em janeiro, durante reunião que também contou com representantes do MME e da Casa Civil, a fundação presidida pela roraimense Joenia Wapichana esclareceu que a emergência na Terra Yanomami impede a apresentação do planejamento aos povos indígenas. Esse impasse se arrasta pelo menos desde 2018, quando a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) entregou o plano de trabalho à Funai.
Único deputado federal de Roraima na reunião em Itaipu, Gabriel Mota (Republicanos-RR), terceiro vice-presidente da Comissão de Minas e Energia, destacou que acompanha o andamento do projeto e citou as preocupações em torno dele.
“Tenho acompanhado a questão para saber os impactos ambientais que isso pode gerar, as áreas que serão alagadas, quem será afetado. Segundo o ministério, o projeto vai seguir o leito do rio Branco e não alagará muitas áreas. Eles estão se balizando pela última cheia do rio. É uma obra grandiosa, precisa se analisar todas as partes. Se for bom pra Roraima, vamos apoiar a ideia”.